Decadência egocentrista
Acredite, leitor, há um grande significado dentro deste poema. Se não entendê-lo, dê um toque que terei em prazer de explicá-lo, e assim terei certeza que o verá com outros olhos
Derradeiro convite a sorrir d'alma difundida
Entre sentimentos maltrapilhos e corcéis,
alma que chora, treme, grita ainda que muda.
Ah sim; pois verdade foi ferimento
de saber que tudo muda e que
O que foras um dia, hoje apodrece
no afugentado resquício da história
que um dia me fora realidade.
A mesma lucidez já não me agride
Apenas resplandece... Como o mesmo
Punho que agride e clama que'u acorde,
As fantasias sobre verdades me humilham:
Lamentei a vida no conforto dum oásis,
Gritei por justiça quando fui assassino absolvido
Julguei-me sofredor sob manta e teto.
Sofro as dores da vida perfeita.
Tamanha a hipocrisia...
Afinal, quem sou eu para dizer que
Sou ninguém, que não tenho nada,
Que não sou nada?
Sou ninguém para dizer ser sofredor,
Tamanha a mediocridade eu ter tentado...
Mas sou algo,
Sou todo o sonho inocente
Sou os lamentos afogados nos bares,
O motivo de persistência de gente açoitada.
Carrego a vida que à tantos é ilusão, invenção.
Sou a criança mimada frente à uma janela,
um quadro pintado de anarquia, de dor...
O que sou... o que tantos nunca serão
O que pude fazer e que muitos nunca farão
O que tenho por presente...
E que nem pelo escarro terão.
A que devo lamentações em vão...
Merda, do que sou feito?
Danem-se minhas dores,
(ou esta ilusão)
Sou os desejos dos que não tem nada
Sou o sonho dos que julguei ser.
Sou o que sou por sorte, nada mais.
E por isso sofro; também por isso,
Mais uma vez, me encontro.
Serei para sempre a utopia d'outros,
E isso há de me confortar...
Mais que a dúvida que a mim destrói:
Estou proibido de chorar?