O SILÊNCIO DOS QUE MORRERAM

Profundidade;

O silêncio me traz;

E o tempo, só impiedade;

Em sua vastidão tão tenaz.

Minha carne envelhece;

Toda aurora anoitece;

Escuridão prevalece;

Do fim, tudo padece.

Infindo finito;

De imenso ardor;

E puro conflito;

Pesa os pesares;

Desses muitos olhares;

Que carecem de seus pares;

Nesse jogo de azares.

Infindo finito;

Todos morreram;

De tanto conflito.

E apesar dos pesares;

Em todos os ares;

Aos vivos, meus pomares;

Pois morri, morri, de tanto me acuares.

Eis a quietude;

Daqueles que arderam;

No amago soa seu alaúde;

Por fora, o silêncio dos que morreram.

Ollenocis
Enviado por Ollenocis em 12/08/2020
Código do texto: T7033238
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