MORNA
Não gosto daquilo que é morno,
Não gosto daquilo que é morno,
Das palavras sibiladas entre os dentes,
Das pessoas que não dizem o que sentem.
Não gosto de espelhos com pouco aço
Que refletem falsas imagens
De rostos doentes.
Detesto as mensagens em mormaço,
Que não comunicam, só insinuam,
Deixando vago o que foi dito.
Não gosto de gargantas entupidas,
Que incham, como as dos sapos,
Enquanto sufocam seus gritos.
Sim é sim, não é não;
Este é o meu lema.
para mim,
Existem sim, o certo, o errado,
O franco, o dissimulado,
O começo, o fim.
Não me movimento como as cobras,
Que se livram das sobras de pele
Sujando o caminho de quem passa.
Prefiro ser pássaro livre,
Que voa por cima;
Eu não aceito ameaças.
Sei que nem todo mundo me aguenta,
Mas quem realmente tenta,
Me conhecerá a fundo.
Verá que eu sou mais do que dizem,
Menos do que insinuam,
E que é vasto o meu mundo.
Deixe as pedras no chão
Ao bater à porta da minha casa,
Ou então... te ponho para fora!
E se existe em mim alguma coisa
Em que podem confiar,
É na minha palavra.