TUDO E NADA

O tempo é campo, em esmero

eu escavo o meu tesouro...

Roço as matas do agouro

e semeio uma ventura...

O tempo é grande inimigo

e me escudo de alegria...

Se não recolho a poesia,

deixo que esvaia sem pressa...

O tempo é alguma promessa,

que pode decepcionar...

Pelo seu túnel atravesso,

sem me deixar enganar...

O tempo é tudo e é nada...

Permite-me aventurar...

Permite um dia esta estada,

noutro, nos rouba o lugar...

Belíssima interação em RONDEL, do queridíssimo poeta e amigo, Gomes da Silveira, a quem agradeço o brilho com que ilumina nossa sala...

Abraços e mui grata. Boas vindas, caro!

O TEMPO

Voa este cavalheiro

que de Tempo se apelida;

parece passar ligeiro,

mas vive por toda a vida.

De nós ele tem medida

e se nutre por inteiro:

voa este cavalheiro

que de Tempo se apelida.

O Tempo nos dá dinheiro

menos que nos dá guarida.

Gasta-o mal um gazeteiro

que se não dá bem na lida

- voa este cavalheiro.

Grato pela inspiração com o tema, cara poetisa Ana Maria. Penso até que já tenho um soneto com o títuto - O TEMPO -, mas nã resisti à tentação de lhe fazer esta interação com um rondel, aqui, sem muito jeito, à base do improviso, rsss. O seu poema está um primor, beijos, GS.

Para o texto: TUDO E NADA (T3858205)

ANA MARIA GAZZANEO
Enviado por ANA MARIA GAZZANEO em 31/08/2012
Reeditado em 31/08/2012
Código do texto: T3858205
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