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O relógio

A primeira coisa que lembro
é que nasci contando...
Coisa que fosse magnética
metal por dentro soando...

Coisa que fosse só coisa
uma peça, utensílio doméstico,
mas que era sempre observado
por operários e médicos...

Coisa ou metal coisificado,
lembro que uma essência tinha
a qual todos se juntavam a ver.
Não sei se a mostra ou escondida.

e sei que andava por pulsos,
outros vi pregados em paredes
outros adornados e vaidosos
E alguns amarrados em correntes.

Nunca soube pra que servia,
só sabia que algo em mim pulsava,
como um coração, mecanizado
que de vez em quando parava...

Foi nessas vezes que, parando,
me descobri lexicado máquina
pois que paralisado o meu pulsar
trocava-se uma peça e mais nada.

E o que era que havia em mim
que todos me olhavam de repente
e sempre, como que um deus?
Uma vez alguém disse: Tempo.

Pensei que tal era meu nome
porém outros diziam horas,
e outros só me apontavam,
para ver-me em pessoa...

Bem, eu era coisa, eu sei,
mas não entendo até hoje
o que há em nós Relógios,
este cá que é meu nome,

que as pessoas nos olham tanto.
Será um magnetismo tal
que atrai olhares alheios,
ou uma característica sem par

Ou será algo relacionado ao pulsar
que tantas vezes escuto sempre
que acontece todos os dias,
é isso que todos chamam de tempo?
Tiago da Silva
Enviado por Tiago da Silva em 02/09/2010
Reeditado em 02/09/2010
Código do texto: T2474959
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Tiago da Silva
Afogados da Ingazeira - Pernambuco - Brasil, 29 anos
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Tiago da Silva