380°
Ao toque das horas que abrem a madrugada
No chão inerte da casa do poeta
Se encontra o fabuloso escritor de enganos
Sua misericórdia era a presença do amor
Que há bastante tempo o desfez
Ele estava caminhando para a cura
Até abrirem novamente a ferida
Hoje foi seu ultimo dia como ser vivo
Ele decidiu que não tardaria a ir embora
Sem nada para deixar e nem amigos para chorar
Ele deixa um rabisco ao lado da estante de livros
“deem-me a quem aprecia a leitura”
Um instante de surpresa e depois o esquecimento
O sofá de um homem só
Carregara consigo as lamurias do poeta
Ele tentou pra caralho
Perdeu a batalha e não conseguiu mais lutar
Otreblig Solrac - O poeta burro