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Último Natal de Guimarães Rosa

Final de ano em familiaridades,
primos de primeiras desesperidades,
em meio à meia noite,
esperesperávamos...

Dezembro desenganado.

Papai Noel chegou
todo ho-ho-rouco:
- Feliz Natal! - dizia
esquivoso para o nosso lado
com um dlin-dlin-dlin.

Fiquei fixado!

Lembrei do sininho que vivia
na gaveta da cômoda da titia. Luzia!
Corri pegar. Precisava lhe mostrar o igual.
Não estava lá.

Procurei, procurei, procurei...
- 'tava aqui hoje!
- Deixa quieto, filho!
Vai lá receber seu presente!
Eu só pensava no sino.

Verti choro veredito.

Papai Noel nem ligou.
Deixou os deixados e foi embora
sem se importar da pena.
Custava esperar?
Eu esperava o ano todo!

Mais tarde, acharam o desachado.
Mas não tinha festa.
Sequei forte o rosto resignado,
humilhado, esbofeteado.

E Papai Noel nunca mais existiu
Saulo Pessato
Enviado por Saulo Pessato em 28/05/2015
Código do texto: T5257438
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Saulo Pessato
Campinas - São Paulo - Brasil
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Saulo Pessato