O Precipício

Posso sentir a brisa primeira

Que bate em meus cabelos

A vertigem descomunal

Como que uma recordação

De um corpo que cai

Diante dele um precipício

Ouço ao fundo a água batendo

Violentamente nas pedras lá embaixo

Sinto essas batidas no fundo do meu crânio

A água parece banhar

Minha própria calota craniana

A dor no corpo pela queda

Não foi suficiente para fazer parar

A dor mais profunda que era a da alma

Agora tudo dói

E tudo está perdido

Onde estou?

Quando a dor da existência invade

E a ela nos entregamos, prontos a fugir da responsabilidade

Como fazer se essa dor persiste

Para muito além ainda dessa vida?

Vivian Arantes
Enviado por Vivian Arantes em 25/03/2025
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