O Precipício
Posso sentir a brisa primeira
Que bate em meus cabelos
A vertigem descomunal
Como que uma recordação
De um corpo que cai
Diante dele um precipício
Ouço ao fundo a água batendo
Violentamente nas pedras lá embaixo
Sinto essas batidas no fundo do meu crânio
A água parece banhar
Minha própria calota craniana
A dor no corpo pela queda
Não foi suficiente para fazer parar
A dor mais profunda que era a da alma
Agora tudo dói
E tudo está perdido
Onde estou?
Quando a dor da existência invade
E a ela nos entregamos, prontos a fugir da responsabilidade
Como fazer se essa dor persiste
Para muito além ainda dessa vida?