A Enfermeira e o Poeta - POEMA
Um homem desfeito, costurado em defeitos,
uma mulher feita, enfermeira de receita.
Romance em sonetos, versos mal feitos,
escritos na maca de uma dor discreta.
Chega a musa, traz as bulas:
receita haicais para insônia do poeta,
Um amor que sacie a fome de quem peça
Que queima, mas nunca se apressa.
Poeta idiota, de barba longa e escura,
troca o álcool por metáforas impuras,
como quem busca um rumo, dentre ruas.
Prateleiras do destino: livros, hospitais,
às vezes velórios, às vezes quintais
onde os mortos sussurram com segredos,
verdades que vêm para arrepiar os cabelos
O hospital vira livraria clandestina,
cheia de histórias de uma vida tão sozinha.
Tem sonetos, versos soltos, rimas ruins,
mas todos, todos… são os ecos, já roucos,
a enfermeira, o poeta e os loucos.