Tudo rápido, Tudo banal - POEMA
Lewis Carroll tava certo, aposto
Talvez todo mundo aqui seja louco
O Gato Risonho nunca errou
E, seja qual for o lado, o jogo é doido
As interações de hoje são dois cliques
Nunca se viram, mas já tão no pique
Não aprofundam, só se entregam
E no fim? Só se pegam
Quase sempre dá errado, normal
É tudo rápido, tudo banal
Baseado num "amigo próximo"
De uma rede nada social
Achar que ia rolar amor real
Por algo ainda tão artificial
Brincadeira de mau gosto, sem gosto
Só mais um tempo perdido no bolso
Chega, esquece, já deu errado
Os solteiros juram que o app é afiado
Mentira deslavada, se funcionasse
Você já tinha até casado
"Solteiro porque quero", sei lá
Talvez só te usou e vazou
E chega, não me encha mais o saco
Isso pra mim não funciona, tchau, obrigado.
Nota do Autor:
Vivemos tempos estranhos. As relações se tornaram um jogo onde ninguém fala claramente, mas todos esperam ser entendidos. Onde olhares e cliques substituem conversas, e indiretas viraram declarações de intenção.
Já não basta sentir — é preciso decifrar.
Já não basta querer — é preciso jogar.
Mas, sinceramente, eu nunca fui bom em participar desse jogo.
Recentemente, fui ao cartório para resolver um assunto burocrático, mas saí de lá com uma vaga impressão de que uma funcionária queria casar comigo. Ela me adicionou no Instagram, sem nunca termos trocado uma palavra além de "assina aqui" e "obrigado". E… Espero que não tenha sido um casório forçado, imagina, tô ferrado…
Brincadeiras à parte, logo começaram as indiretas nos storys nos “amigos próximos” sobre relacionamento. "Ok", pensei, "talvez seja uma mensagem pra mim." Ou talvez para mais uns 12 desavisados. Quem sabe? O jogo moderno é assim: não se manda um “oi”, se manda um enigma.
Fiz o mínimo: reagi com um emoji de olho. Ela riu. Boa reação. Tentei puxar conversa como alguém normal, e não como um sedutor de DM. Adivinha? A resposta desapareceu mais rápido que um boleto pago.
Mas as indiretas continuaram. Sobre amor, sobre solidão, sobre querer alguém. E me perguntei: isso é um recado pra mim ou só um grito desesperado do vazio de alguém?
No fim, acho que ninguém quer conversar, todo mundo só quer "ser solicitado". Acho que se for pra sentir, que seja de verdade. Se for pra viver, que seja sem disfarces.
E eu? Bom, voltei pro meu quarto, sem entender nada, mas pelo menos com meu documento assinado.
A moral da história? O Gato Risonho estava certo: o mundo é, e sempre foi, uma loucura. E, assim, continuo seguindo meu caminho, sem mapa e sem pressa.