APREPARANO O CASÓRIO DO CAIPIRINHA

(Poeta Caipirinha)

Me adiscurpe minha sinhá

Mais num tamo intimu ainda não

Farta por as prova de se virgê

Pra vois micê mais eu se casá

Mais como nois ta nas época

De colhê as prantação

Vô isperá pro méis que veim

Pra modi buscá a sinhá

Sô home disconfiado

Mais na sinhá me vô acreditá

Pode se ajunta os pano

Os chêro e os sabonete

Que vô buscá ocê pra casá

Inté já se acombinei

Cas orquestra aqui da roça

Já tudo se ensaianô

A ave Maria dos sertão

Pra modi cumemorá nossa união

Minha sinhá! A mais linda de meu lugá

Num precisa trazê tanta tranquêra

Que aqui num tem lugá

Teixa esses treim aí

Já me abasta o que tem aqui!

Nois mandamo um porco gordinho

De vorta pro seu lugá

Pois era irmão dunzinho que tinha lá

E aqui dava de estragá os otro

De cueca é ansim que o tar se aveste

Vortô pra sua terra, genuíno dos nordeste

Os garnizé pode trazê

Os daqui são tudo iguá

Parece memo o saláro mínimo

Que ninguém se agüenta

Agora já se armentô

Pulô pra trezento e oitenta

Os burrinho daqui são tudo educado

Cada um sabe onde é seu lugá

É mio dexâ esse aí tamém

Se não quano chegá aqui

Vai se acandidatá a sê dono do currá

Pió que se podi inté de ganhá!

O os treim num vai prestá!

Dos corrupto, Sinhá é melhó se ispricá

Vô tá esperano, essa história me contá

Oia, sinhá! Vois micê pode esperá

Seus pertenci e as tranquêra separá

Se adespede dos seus parenti

Mais tem logo que se avisá

Seus parenti fica tudo lá

Aqui num é prefeitura municipá

Num se apreocurpe

De vois micê vô cuidá

E se adecrará que nois vai se amá

Num se apreocurpe

Cuns imposto nem cuns leão

Desse riscado nois intendi

Sô caçado dos bão!

Inté, sinhá!

Dispois iscrevo pra falá das orquestra

Pros dia da nossa festa

Aqui tá tudo animado

Pra modi esperá a chegada da sinhá

To pensano na hora dos bejo e dos chamegu

A sinhá não vai se tê sussêgo!