PRISIONEIROS EM NOSSAS CASAS!
PRISIONEIROS EM NOSSAS CASAS!
Evilazio Ribeiro
O brasileiro viaja ao exterior, surpreende-se e espanta-se pelo simples fato de poder sair às ruas a qualquer hora do dia ou da noite sem se preocupar com a própria segurança. As razões da perplexidade são tão óbvias quanto dolorosas para nos brasileiros: nas nossas cidades, vivemos cercados por grades, não dormimos enquanto os filhos não chegam, temos que fazer vigília e rezar para não sermos assaltados, já não confiamos nas forças de segurança (policia), não nos sentimos seguros nem dentro de casa, somos vítimas ou testemunhas diárias de assassinatos, roubos e furtos, arrombamentos e violência de toda ordem. Deixamos de ser cidadãos livres e nos tornamos medrosos. Armamo-nos, mesmo contra e lei, mas os delinqüentes têm sempre mais poder de fogo até mesmo maiores do que as forças policiais. Pagamos impostos elevados e, em muitos casos, serviços privados de segurança, mas o sentimento de desproteção não nos abandona. Os jornais e os noticiários de rádio e televisão ampliam diariamente o espaço das crônicas policiais, tal a quantidade de crimes, assaltos, arrastões, roubos de veículos, tráfico de drogas. E essa não é uma visão apenas das classes de maior poder aquisitivo, é fato comum nas periferias das principais cidades e mesmo em áreas rurais de municípios distantes, a violência se faz presente com muita freqüência. Na ausência do poder público, não é incomum que o tráfico e o crime organizado o substituam. E aí a sociedade se divide entre os que têm medo e os que o impõem o medo.
“A pobreza não é causa da violência. Mas quando aliada à dificuldade dos governos em oferecer melhor distribuição dos serviços públicos, torna os bairros mais pobres mais atraentes à criminalidade e à ilegalidade”.
Quando vamos mostrar a inconformidade com esta condição de prisioneiros em nossas casas? Quando vamos nos assumir como cidadãos íntegros, com direito à liberdade, à segurança e ao convívio civilizado? Quando vamos reagir como sociedade organizada?
Vivemos no Brasil hoje cenas previsíveis onde as autoridades políticas manipulam os escândalos para sobreviver sobre a própria história, esperando com ansiedade de um vagabundo a Copa do Mundo chegar para beber a fé ímpar da população. Numa campanha marcada feita em implícitas bonança verborrágicas de governo, adequando o petrificado desejo do Lula em fazer Dilma a sua sucessora.
Para isso, temos como cidadão, que exercer nossos deveres de escolher como governantes e representantes políticos pessoas honestas, comprometidas com o bem coletivo, fazendo a nossa parte para construir uma cultura de paz, oferecer exemplos de trabalho e respeito, rejeitar o jeitinho e a esperteza como meios para alcançar o sucesso. Temos direito à tranqüilidade, mas só poderemos conquistá-la se cumprirmos as nossas obrigações com a sociedade.
PARA PENSAR: “O sol nasceu para todos... a sombra só para alguns!” Ditado popular.