O SANTO DOS LADRÕES

O santo dos ladrões

pintado no quadro,

São Dimas,

tinha o rosto da minha mãe.

Por isso eu a perdoei

e ainda hoje ela estará comigo no Paraíso.

Jaz em minha memória,

o quadro do santo dos golpistas,

dos malandros, trapaceiros

(todos arrependidos),

tinha o rosto da minha mãe

(na crucificação eterna e esverdeada,

pendurada em um canto

de um altar da sala de estar)

por isso eu a perdoei,

e ainda hoje ela estará comigo,

no céu das mães,

dos filhinhos,

todos mortos,

enquanto eu permaneço vivo,

e homem marcado

pareço existir.

Aquele São Dimas que percebia os erros,

parecia contigo,

por isso perdoo a ti, mãe

mesmo com as minhas mãos fincadas,

minha crucificação fugaz,

meu anonimato.

Não foi tua culpa,

então se prepare,

pois meus braços irão abrir

para algo além do canto do altar

eles te receberão

e ainda hoje estará comigo no Paraíso

e até antes,

serás única

em nosso retorno

à claridade do meu parto.

Do livro: NOVA MECÂNICA

Paulo Fontenelle de Araujo
Enviado por Paulo Fontenelle de Araujo em 30/04/2019
Reeditado em 21/04/2023
Código do texto: T6636225
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