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Recomeço

A substância que se deita à terra
É a semente cálida que afunda sob os
Grãos da noite; Tua umidade escorre
Sob minhas paredes escuras, e o ponto
Surdo, prossegue a decair na camada
Mais baixa do ventre letárgico da dor.

Ao fechar os olhos, sinto o pequeno
Ponto debater em meu silêncio
Retorcido; Ele afunda em mim como
Um germe de luz, fazendo a escuridão
Arfar no mais árido cansaço.

Os sons são mais ocos daqui de baixo,
São sutis sopros enérgicos sob o óvulo
Solar que fecunda a mortalidade da carne.
Meus tecidos são agraciados com o leve
Despertar da argila endurecida.
Assisto o parto fosco da gênese da vida.

É a luz que tira o rosto de um desmaio interno.
Relicário de formato inseguro e alumiado; Obscena
Desfigura de pétalas atrofiadas no semblante
Da exaustão; Beleza suja de entulho, que outrora
Ocultara-se nos tecidos da desilusão.

Teu parto escarra as recônditas belezas de uma úlcera,
A feia regeneração é a revolução dos tecidos que saltam
Sob o precipício rubro de uma ferida aberta. Oh, forma insegura, nomeio-te imortalidade, a flor mais bela do côncavo e maciço fim e tuas aberturas infindáveis.
Letícia Sales
Enviado por Letícia Sales em 03/08/2020
Reeditado em 03/08/2020
Código do texto: T7025233
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Letícia Sales
São Paulo - São Paulo - Brasil, 20 anos
12 textos (223 leituras)
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Letícia Sales