Nada

Você não deixou nada pra mim. Nada que eu pudesse me agarrar e viver sem ter a sua sombra. Sombra de um amor que morreu antes mesmo de nascer. Antes de ter raiz. Saiu voando com o vento, como uma leve pluma, uma bruma que se desfaz com o nada.

E o nada foi oque sobrou, um grande nada escuro e sombrio que impregna meu ser. Que como um gélido vento de inverno, toca a medula, invadindo-me com um temível arrepio congelando cada poro do meu indefeso e vulnerável corpo.

Eu presa sem poder mover um músculo, a mercê dá caridade de um sentimento inexistente, dá bondade de alguém que sonhei ter um dia nascido e me amado, alguém que como a chuva escoou. Correu para o mar e evaporou para assim se renovar em um refrescante, remoto riacho de águas cristalinas. Tão distante de onde meus olhos podem alcançar que duvido que exista. Duvido que respire. E se existe, deve ser inodoro e incolor, seguindo um ciclo impossível de acompanhar. Sendo tão inexplorável que nem a mais suprema autoridade pode tocar.

A ADrya
Enviado por A ADrya em 05/01/2018
Reeditado em 20/01/2019
Código do texto: T6218021
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