Roda-gigante

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Oh Deus!

Permita-me calar diante da força bruta e desmedida.

Permita-me respirar calma e profundamente...

E somente depois, Senhor, mansamente, Fale por mim.

Oh Deus!

Qu’eu entenda o grito como uma forma de temor.

Qu’eu entenda as mudanças repentinas sem dor...

E somente depois, qu’as janelas se abram para mim.

Oh Deus!

Se há uma verdade, por que não houve olhar no olho?

Se há algum temor ou medo, por que buscar senões...

A vida flui, mesmo que existam imundos e tortos canais.

Oh Deus!

Até quando estaremos sob o julgo da arrogância prepotente?

Até quando, friamente, nos oferecerão a intragável aguardente...

A vida flui, mas as marcas não devem ser de cinzas recordações.

Oh Deus!

O altar está posto, mas o rei parece débil, desequilibrado.

O altar está posto, mas há na edificação pontos desestruturados...

Assim, quando as paredes ruírem, cessarão vidas inocentes.

Oh Deus!

O início da decadência tem origem no ápice, sutilmente.

O início da demência reflete uma mal-resolvida submissão...

Assim, que girem por toda a vida as cadeiras dessa roda-gigante.

Nijair Araújo Pinto

Crato-CE, 27 de abril de 2010.

13h36min

Nijair Araújo Pinto
Enviado por Nijair Araújo Pinto em 27/04/2010
Reeditado em 27/04/2010
Código do texto: T2222770
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