Lipstick, Rubro Dilúvio

Comendo com os dentes

O alimento da intuição

Mordendo com o ventre

O sexo na contramão

Como é terrível o desamor

Agora você sabe, houve

Um amor você não viu

O vento caliente do carinho

Perpassando os pelos

A pele surda de sua solitude

A mente a mil quilômetros

O corpo um ímã de tudo

Traindo a todos como se

Amar fosse absurdo. Os

Amantes a haviam traído

Você era agora apenas

Traição. Não acreditava

Em carinho, no amor perdeu

Para sempre a convicção.

Aprendeu a gostar e a

Segurar a flor amarela da

Ilusão. As sensações passam

Rápido. Não tens mais como

Acreditar no sabor do agora

Seu corpo vestido com a

Roupa da moda: a mágoa

Veloz perpassa fugaz. Os

Impulsos do afago dos

Cuidados fogem dos pulsos

Das mãos. E se um dia

Caminhasse na chuva é

Como se ela não te molhasse

Porque estás encharcada

Da velocidade malamada

Com que devoraram teu

Mundo entrepernas. Quem

Te poderá estender a mão

Se foges correndo da

Possibilidade do afeto?

A chuva torrencial te molha

Os lábios mas não serve

Para lavar a tua desilusão

Serás para sempre a

Obediente menina perdida

No larbirinto da modernidade

Flutua tua mocidade em

Busca desesperada de mais

Uma ilusão. É só do que

Precisas. A veloz cidade

Faz parte de tua vida. Não

Adianta a chuva fluir em

Gotículas bailarinas. A

Inundação inútil da carícia

Essencial em teus pelos

Não tens mais a recepção

E o zelo que te poderiam

Salvar de teu passado da

Solidão feroz que te devora

As entranhas e teus lábios

Inutilmente pintados

Novamente de vermelho.

DECIO GOODNEWS
Enviado por DECIO GOODNEWS em 20/04/2010
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