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Aquarelas de Chamas e Águas

Nos caminhos entre os corpos daqueles que se desgastaram,
De todas as vítimas e inimigos que a Aliança matou,
Nessa chuva eterna que os fogos marcaram,
Enfim a guerra terminou.

Demonstrando a carne viva nessa chuva etérea,
Com os ventos não deixando cair à garça aérea,
Procurei você entre todas as gotas do oceano,
E consegui ver seu cabelo cor ciano.

Seus olhos brilharam como gota de orvalho,
Debaixo estava da corrompida arvore de carvalho,
Meu olho não se abria pela ferida da garra de um bestial,
Meu corpo doía pela maldição do celestial.

Entre meus cerúleos e roxeados,
De todos os meus machucados,
O que mais marcou meu espectro derrotado,
Foi o seu beijo aguado.

Em quem você pensa enquanto me beija?
Aquela fragrância cereja?
Em quem você pensa para fazer cintilar?
Aquele herói de Homangar?

Em quem você pensa enquanto me beija?
Que te faz lacrimejar de amor e não tristeza,
Em quem você pensa enquanto me rasga?
Que te faz entrar em catástrofe com tanta pureza?

Quem você queria peito contra peito?
Seria o cara que lhe tocou as primeiras águas?
Aquele que foi embora e lhe deixou mágoas,
Oportunamente se foi e lhe deixou na cama,
Quem você pensa quando diz que ama?

Quem é esse que te faz límpida de ardor,
Em quem pensa quando fala de amor?
Em quem você pensa enquanto me abraça,
Quem é o único que com corda a água laça?

Mas depois de guerras e insanidade,
Não sou eu quem você dá esse suspiro de tranquilidade,
Nunca me torno aquele que você procura quando abre os olhos,
Nem quem em fresta tenta ver durante o beijo.

Em quem você pensa enquanto eu sou vitorioso?
Quem queria no seu colo no momento mais medroso,
Aquele que marcou seu defloramento,
O primeiro que lhe fez um juramento.

Em quem você pensa enquanto chove?
Que te faz sorrir quando se comove?
Traz-te esperança,
Chama-te para uma dança.

Em quem você pensa enquanto morremos em lábios?
O primeiro que te leu em alfarrábios?
Que te disse donde vem a Deusa da Água,
Deixou em seu coração marca de mácula.

Quem é outro que morre enquanto chove,
Que apaga o fogo de minha alma,
Faz com que perca a sua calma,
Faz-te arrepiar sem causar trauma.

Em quem você pensa enquanto se desnuda?
Bebe da fonte a água mais pura?
Em quem você pensa quando alimenta O Sonhador,
Como é a forma do ser que chama durante o sono.

Qual é o nome que quer chamar na língua esquecida,
Quem é que você pensa quando toda se ouriça?
Enquanto eu me machuco na sua chuva verdadeira,
Onde está o amor de sua vida inteira?

Suas mãos me tocam como álcool em carne vívida,
Minhas tormentas para ti não passam de asneira pífia,
Nunca buscou tocar o mais belo fogo azul,
Nem pensou em fugir quando houve a invasão do Sul.

Em quem você pensa enquanto eu te beijo?
Qual a mão que queria pegando em seu queixo?
A unha que passa em suas coxas e costas,
O único que lhe abriria para novas portas.

Não sou eu o Herói do Sacrifício,
Muito menos a reencarnação de Aquário,
Nunca fui seu, nem hoje e nem de ofício,
Estou perdido no seu deserto molhado.

Em quem você pensa enquanto nos acostamos?
Que espera onde nos encontramos?
Anseia de peito dolorido e marcas nas fontes,
Seu divisor de águas, chuvas sobre as pontes.

Não sei a diferença de amor da sua vida e amor da sua cama,
Pois eu tenho certeza que não me ama,
Se machucar ao beijar o fogo sendo água,
Tudo isso é medo, mágoa?

Fiz tantas tarefas hercúleas para te ver sorrir,
Mesmo assim seu beijo só me causa agonia,
Meu desejo pós-guerra era que sorrira,
Mas o único sentimento que me cresceu foi à Ira.

Em quem você pensa quando falo que vou partir?
Para quem diria para voltar?
Saiba que se agora eu ir,
Nunca mais vou voltar.

Brando minha espada aos mortos e irmãos,
Queimo uma chama para cada coração,
Sou o Rei da chama pálida, filho do Deus da Guerra,
Sentenciou o meu romance com seu voto de Minerva.

Não me conte,
Não me mostre,
Não me ame,
Não me encoste.

Em quem você pensou enquanto me beijava?
Quem era a flecha da sua alijava?
Em quem você pensa quando mostrei minhas memórias?
Para quem contará as suas histórias?


Em quem você pensa enquanto sigo rumo ao destino?

Por mais que eu grite o mais alto que o fogo possa queimar,
Não causa eco em seu lago,
Hoje eu me parto,
E não estou mais do seu lado.

Ganhei a guerra,
Mas nunca tive o que queria,
Sigo para Neverfrost,
Em rumo de me achar.

Como atitude,
Tudo que me deixou foram manchas pelo corpo,
Há também aquelas que nunca serão presenciadas,
São aquarelas os nossos sentimentos,
Como os nossos momentos,
De todas as vezes que nos deitamos,
Nunca fui quem queria.

Para todos os divinos pincéis,
Sem amor, não há obra de arte,
Espero que o destino em meus pensamentos lhe mate,
Pois só ficou os tons pastéis.
Corvo Cerúleo
Enviado por Corvo Cerúleo em 29/11/2019
Reeditado em 29/11/2019
Código do texto: T6806708
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Corvo Cerúleo
Montes Claros - Minas Gerais - Brasil
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Corvo Cerúleo