PÊNDULO

Emérita, far-se-á jus, ao acaso peremptório

esboçar a cólera quando aquele

que esvanece o muro, desmerece

o gladiador que luta ferozmente

para devorar com seu anseio estúpido

de territorialidade, aquela que seria

seu bolo estomacal. Exatamente um

incômodo absurdamente paupérrima e

ínfima hiena, que sorrindo, mostra-nos

tua magreza esquelética; iniciada

pela tosse incessante… aguardando

atordoada os restos mortais devida tão

minúscula, infértil, vil, desfalecida pelo ataque

brutal de seu bucéfalo predador.

E no balançar da mísera e catastrófica

Ilíada. Ei-lo, como a fera.

Far-se-á nobre filosofar, contemporaneamente

como o surreal, saltou-lhe ao dorso a ponto

de fá-lo serpente, ressurgindo das cinza

e cobra sua pose de majestosa.

A dita translada aquilo que fora um dia

paraíso, para pôr a prova, fétidas cicatrizes

de uma gênese destruída por aquele que

comera pitaya, pleiteando sua prole, alegando

que fora ela, bendita costela, cujo ladro

não preenchera o vazio atórdito, gerando

uma faixa estreitérrima, onde o primeiro

e o segundo homem são, pela ordem, julgados

pela corte de abutres. Aplausos, gemeu os rebentos

marginalizados pela história culpabilizada por mais

santa que fosse a trindade. Raquel, reclama a lide.

Ora… hora… Ora… Hora.

A ampulheta fora girada e o mequetrefe

relógio ditou que muito menos do que

se gosta, definiu, o desprazer de ser

aberração de um púlpito. Horácio, venha!

Elementar meu caro lorde. Shakespeare

apresenta-se hoje, meu grande.

O teatro apoteótico se rompeu quando

no púlpito definhara o público…

Mas, por onde andará o bobo?

Aquele cem corte, mas pausadamente

gira o dorso e se faz majestoso.

Imbecil!!! Teu poder durará o quanto

fenece o vento, a brisa tempestuosa

a arruinar a verdade estúpida do ato.

Ele, abrolho, só representara as letras.

O escrevinhador, outrora inerte, permaneceu

bastidoramente no escuro, tornando-o seu

próprio algoz … déspota de uma solidão decadente

emergente, mas com um sabor insípido

de um tubérculo amarelado. Inchado.

Os holofotes revelaram sua inexata

exatidão. Pão e circo. Fora tudo que

lhe restara, agora tornara dejetos de

um felino impiedoso. Impetuoso. Rançoso.

Empunhou lança ao braço

sustentando o escudo de bronze

e ao chicotear a besta… sentiu

seu lombo troncar-lhe os dentes.

Sou eu, gridou o infeliz… eu…

eu…sou eu mesmo? Desejo sê-lo.

Tudo se consumou numa piscadela

e então o gladiador, desnorteado

pela sua dor. Consentiu.

Dimensionalmente vivendo, estou

cá, morrendo, para amar uma outra era

nova, onde o trem desliza sobre

os trilhos e o apito é uma ensurdecedora

sirene conclamando que chegará daí a

poucos minutos um outro míssil.

E no calor da onda, cuja pregabalina

me tirava a dor, Clamei… conclamei

Ei-lo partindo, resfolegando pelas narinas

cujo atestado disse o otorrinolaringologista.

Seus alvéolos foram subitamente assaltados

por uma dupla pneuma… evoluindo para um

derrame pleural, cuja razão para o óbito fora

uma embolia pulmonar sistólica.

Ok… cena 4, ato 2. Hora do fúnebre defunctório

tornar-se a vida. Luzes, câmera e ação.

Quando lhe assaltaram os pulsos… ponteiros

marcaram ineptamente: 15 horas.

E ali num urro, seu diretor conclamou.

Continuemos, até que a putrefação

não lhe caia nos ombros. Como assim?

Esbravejou o contra regra. Cala-te; abra

as cortinas persianicamente lindas para

que o público aplaude.

Ei-lo subitamente se acendendo sem a

vil matéria. Dando a todos a perfídia ideia

de que o mequetrefe realmente encontrara

o paraíso.

Ao final, concluindo os fatos

chegaram a um consenso.

A morte não existe. Caso existisse

O palco seria cronologicamente maior

e melhor do que todo e qualquer universo.

Apagaram-se as luzes

Fecharam as cortinas

e a trupe abaixando-se cortesmente

saudavam a todos. Melhor…

Restara na plateia um alcoólico…

anônimo.

Dormia ao som de uma valsa triste e sombria.

Acordaram-no a bofetadas e este, esbravecido

urrou… ora pois. Por que não me deixaram

assistir ao espetáculo?

Palhaços!!! Jamais os perdoarei.

E de luto, vestido preto, chorando aos

berros, jogou na face do elenco os picadilhos

do que outrora fora um ingresso.

Far-se-á oblíquo que se reinicie o pronome

jus é o caso, que no acaso do caso

nada fora definitivamente esclarecedor.

E tenho dizido. Gritou o bêbado a tropeçar

no degrau e ralando a face no preto asfalto

gridou… por que deixaram-me ser apenas,

eu, sentado naquela mísera poltrona

de dois contos de réis?

E tudo ali findou-se.

A luz do constrangimento fora substituída

pela luz vermelha que vinha na sua direção

de um velho relógio de parede que estava

diante de si, numa bela recepção… bem vindo

ao inverno do inferno. Balbuciou o anjo de luz.

Lúcifer? Quiçá !!!

Outro ato? Uma nova cena?

Peço escusas senhor, mas teu chifres são falsos…

Não são? Nada é falso aqui disse o

cerimonial… capeta faceira, sem eira

e nem algibeira. Tostemo-nos…

testemo-nos para que depois não venha com

os recursos alegando que pulamos os

trâmites.

Far-me-á um obséquio? Firme aqui essas

duas vias para que o cartório do xeol

venha a reconhecê-las. Elementar meu

caro, digno verme… resta-lhe para o

momento apenas as exéquias.

Show!!!!!!!!

Vamos para a sesta. Depois veremos

as conclusões do enredo.

O que eu faço com esse trambolho?

Absurdo és tu… demência apocalíptica.

Trombo é uma via de fato sem retorno

cuja declaração de morto, tornar-se-á

devidamente esculpida nas tábuas da

recepção cartorial daquele que jaz

em berço esplêndido. O que interrogas,

nada mais é: o tempo. Energúmeno.

Faça a vênia e dê meia volta. Demitido

estás… agora vai ao léu.

Sua nova habitação será o bordel.

Onde?

Faltou-lhe educação. Infeliz cego que não deseja ver.

Deitar-lhe-ei nesse carrara

para não seres devidamente açoitado

pela ignorância brutal d e uma pedra.

Essa é a insígnia de uma general, cujas estrelas

se encontram na constelação dos personagens.

Personifiquemos.

Findar-lhe-ei toda a questão.

Não maltrate essa obra de arte.

Criatura, donde está tal peça?

Ei-lo-o defronte a ti. Marcando os

passos do coração que ainda vibra

quando escuta o tic… tac… tic… tac.

Esse relógio velho de parede?

Quem dera se o mesmo fosse fosse uma relíquia antiquérrima!!!

O dito é herdeiro, parente de primo grau da mais

tardia mania de se medir quanto tempo tem distante daqui

para o ali; ou do lá, para cá

se gastava, desprezava, desperdiçava.

Essa dosimetria do passado, hoje metrifica o presente

classifica o futuro e traz-nos à tona a verdade dos fatos.

Ora, elabora, vamos embora deste pérfido e nefasto

mundo de Dolores, horrores. Tumores.

Deixa de ser pessimismo puro ou insípido escritor.

Meia volta ou volta e meia. Siga a fita nitrificante

e não tardarás a erguer-te desse lamaçal sem sal.

Vamos… Erga-te… Saia para fora e dispa-se destes trajes

esmolambados de pó, suor e fenda. Finda.

A oratória é mórbida

mas o discurso denota

o que de fato sempre um dia fostes, queira eu…

… apenas …

O palco ou apenas bastidores.

Foi assim… reconte o conto que me contaram quando

ainda eu não sabia nem se quer contar.

Lamento.

A peça acabou.

Editada em 04.03.25

Eugênio Costa Mimoso.

Eugênio Costa Mimoso
Enviado por Eugênio Costa Mimoso em 04/03/2025
Código do texto: T8277688
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.