Ódio sem culpa
Quem é livre ama e odeia sem culpa. Não dá para ser intenso com culpa, a culpa é um freio. O ódio é tão digno quanto o amor - isso quando o amor é digno. Quem disse que não há amor indigno e ilegítimo? "Aí não é amor verdadeiro", vão dizer para tentar, em vão, não macular o amor já maculado na fonte. É amor, porque amor é o que se sente. E a dignidade não está no que se sente, mas no como e no porquê se sente. E por que não ódio digno e legítimo? Impossível fugir do ódio e do amor, são dois sentimentos inerentes a nós, seres humanos. A legitimidade é o que torna o sentimento, amor ou ódio, digno. Não há dignidade em oferecer a outra face, não há dignidade em amar quem nos mete a mão na cara. Se esse amor realmente existir, não é legítimo. Isso é conversa fiada de quem quer nos impor a culpa cristã como forma de nos espoliar, de nos domar, de nos impedir de revidar, de nos fazer amar a quem devemos odiar. Nesses casos, a dignidade está no ódio porque legítimo, sem culpa. Eu amo odiar assim como, tantas e tantas vezes, odiei amar.