Encruzilhada XIX

Perdi-me de vez nos confins do inferno

Estou carente da razão, onde não vejo salvação

Não, não me basta apenas fé

Sofremos mais em nossos pensamentos -disse ele.

Apesar de tudo, eu os vejo como irmãos…

Rezarei pela misericórdia daqueles que blasfemam seu nome

É aqui que separarei os homens dos demônios

Pai nosso que estás no céu, que santificado seja teu nome

E que Paulo questione “a verdade”

Rogues a ti o colapso da redenção

Inimizade nunca acaba com a inimizade

Guerra a vida “nem por terra, nem por água…”

O poeta está morto

Saberá quando se for…

O ato de viver uma última vez

Eu vejo tanta apatia

Nesses espelhos de narciso

O que é esse amor de cristo?

Eu vejo tanta… apatia.

É preciso ser, para enfim existir

Eu me pergunto “quem sou” em meio ao caos

-A tragédia da logos.

Pois todos aqueles deuses me abandonou

Estou preocupado, eu não sinto mais minha alma

Estou carente desses mithos

Condenado ao inferno do mesmo

Condenado ao inferno de si mesmo

O ensaio da ação não é o pensamento

Estou em ansiedade e me preparo por tanto tempo

Para no fim a ação ser o que nunca havia pensado

Eu sofro constantemente com esse ele, eu não sou como eles

Aquele que recebo em casa, beija-me em troca de prata

Aquele que me nega quando estou derrotado

Como posso condená-los à traição que me deram?

Se a minha missão é apenas amá-los.

Deus no Brasil tem partido e é de direita

Sendo que na bíblia teu filho andava entre os mendigos

Deus no Brasil pacífica de fuzil

Sendo que teu filho impediu que apedrejam os pecadores

Me declaro anticristo, mas daquele falso bem aventurado

Que só é irmão dos seus, procura salvar quem já está salvo

Daquele que vê Deus em todas as coisas vivas e não vivas

Bem aventurado é aquele que confia em Hélio

“A fé representa sua espinha dorsal”

Aquele que se ergue perante todas as coisas

“Contra o tédio até os deuses lutam em vão”

Aquele que se deu por vencido diante ao abismo

O homem que tem em abalo a sua fé questiona

“Deus está morto?” mas se distancia do fardo do passado

O avô da filosofia alemã questiona o que é a fé

Mas o pisoteado apolo já não brilha mais em seu manuscrito

Esse dysangelium (erro radical) o falso evangelho

O verdadeiro anticristo é o falso cristão

Aquele que não cultua o amor e busca razão para seguir

O jogo aos leões, aos lobos e aos carniçais

Ofereço os ensinos de cristo ao anticristo

Lavo seus pés surrados de pisotear e espernear

Na esperança que você compreenda o que é perdão

Na esperança que você ainda tenha humanidade…

“Nem por terra e nem por água encontrará o caminho para os hiperbóreos”

Não encontrará a tal verdade sem uma redenção divina

Entendo hoje a afirmação de Nietzsche…

Mas me pergunto “como acabo com o meu sofrimento?”

Aquele que se apegou ao logos

Encontra-se oco e carente de um espírito

Se arrastando e esperneando por todo o vale

“Deus está morto, Deus está morto…”

Apolo tirou de mim a bênção de andar pela grécia

O que me resta senão manuscritos empoeirados?

Estou diante a jornada ao oeste…

Porém sem sequer um norte…

Encontre seu caminho, encontre seu destino

Se necessário reze, mas jamais se entregue

Com a arma da verdade eu logo posso afirmar

Que eu… matei o meu lírico…

Alvaro Kitro
Enviado por Alvaro Kitro em 26/03/2025
Reeditado em 26/03/2025
Código do texto: T8294640
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.