A Vingança
O banquete estava posto: uma ave apetitosa, bronzeada; batatas douradas; a salada bem vermelha; o alface era de um verde tão único que, ao vê-lo, soube na hora o motivo de terem atribuído à esperança essa cor. Louças tão douradas que reluziam na sala de jantar inteira. Era uma quantidade absurda de comida, que alimentaria duas a três famílias.
A cada vez que ele olhava, seu estômago rugia alto, gritava alto, esperneava como uma criança mimada. Passados dias, ele quase decrépito: olhos fundos, a pele já colada nos ossos, sem forças. Ele olhou para o banquete novamente. A ave estava esverdeada; as batatas já formavam colônia de fungos; as moscas faziam morada nos alfaces.
Então, ele pega a coxa da ave e, em ato de desespero, a leva à boca, começando a comer desesperadamente. Ele mastigava com a boca aberta, de maneira consciente, para caber mais comida. O bolo de comida rolava em sua boca, caindo vários farelos. Conforme ele comia, via seu reflexo no prato e ria que ria. Ria tanto que mal dava para distinguir de um choro.
A comida estava extremamente gelada, tão gelada que não dava para sentir o gosto dela. Somente o gosto de devolver o beijo de Judas