O verão chegou.

O sol amanheceu mais dourado na bagdá do Atlântico Sul; esses raio que atravessam todas as existências e deixa o mar mais abrilhantado, são os responsáveis por anunciar a nova estação que está por vir — ou que já está entre nós. É esse verão que me lembra dos dias de outrora, onde víamos o sol bater no asfalto e subir o mormaço, fazendo com que o horizonte tremulasse criando, para nós, uma miragem. Me lembra das vezes que saí com Tom, e que esgotamos os cardápio de fast foods, sem lembrar que a idade chega e as consequências dos excessos também. Essa é a estação do cheiro de protetor solar que inebria a cidade, das moças e rapazes que andam apressados pela praia, das ruas vazias ao meio-dia, da renovação de energias.

Ao menos, me parece que é assim que deveríamos pensar, encontrar um caminho melhor em meio ao caos e às incertezas do que as outras estações nos deixaram. Em certos aspectos, a vida se demonstra mais difícil do que aparentava ser; em outros, ainda há como respirar. No final de tudo, o que resta é lembrar para se satisfazer, para afastar a melancolia do agora. O verão também serve para isso: desmelancolizar, transformar todos os valores. E não, Seu Amarante, nada de chegar às seis, que chegue às três, quatro; não deixemos o verão para mais tarde. É essa folia e sopro de esperança que o Brasil não demonstrava mais ter, mas que agora tem. As tristezas, os arrependimentos, as dores, a gente guarda em uma gaveta, afinal, nela cabe mais do que na despensa.

Que os dias sigam assim, uns mais arrastados que outros, todos tão incertos quanto poderiam ser, mas, sempre melhores. A aflição e o medo não paralisa mais e isso é um grande passo rumo ao futuro e às demais estações — mesmo sabendo que nenhuma das porvindouras serão iguais as que acontecerem, para bem ou para mal.

O verão chegou.

Yan Augusto
Enviado por Yan Augusto em 10/11/2022
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