NUM DIA DE INVERNO

Num dia de inverno soalheiro caminho pela praia

Que eu tanto gosto, posso observar o sol e o vento

A brisa a acariciar-me o meu cabelo e a minha face

Brisa suave perfumada com cheiro a maresia

A areia massaja-me os pés, vagueio pelos pensamentos

Pelas memórias de todos os momentos vividos

Hoje ao passear pela praia sinto-me só

Sozinha neste areal, neste mundo, vazio e triste

Como se o meu coração estivesse secado de dor

Como se já não existisse sol, como se o mar estivesse seco

Ando pela praia sem saber onde vai dar, perdida e esquecida

Um caminho de solidão, no meio da tempestade de tristezas

De lágrimas, sonho acordado feito de gritos

Murmúrios, lamentos, choros de dor

Feitas em carne viva que deixam, uma cicatriz na alma

No corpo, como se eu chamasse a morte em vez da vida

Como se carregasse no peito, na mente, as mágoas

Deceções, frustrações, desilusões

Fecha-se as portas as janelas, da vida para ninguém entrar

Um poço fundo escuro, por mais que eu tente sair não consigo

Ler, escrever, rabiscar, publicar, é neste momento

A minha terapia para secar a dor que atormenta-me

Para colocar em ordem a minha mente, que sinto que está em desordem

Sim mostro o mais íntimo do meu ser, e muitas vezes sinto-me nua

Mas a quem o mostro primeiro é a mim mesma, sim as minhas fraquezas

Mas também minha força a vontade, de quando isto passar terei vontade de rir

Tenho consciência que não sou perfeita, sou apenas um ser humano

Com defeitos, manias e imperfeições, que precisa de colocar as coisas cá dentro

Em ordem para melhor avançar, começar a viver sem medo, sem dor

Num dia frio soalheiro passeio pela praia, que eu tanto gosto

Seja de inverno ou verão, onde molho os pés da minha solidão,

Da escuridão da minha alma.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca
Enviado por Isabel Morais Ribeiro Fonseca em 07/11/2020
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