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Testemunho

Sábado eu estava triste. A ansiedade começou a me dizer para não sair de casa, que era melhor ficar na cama dormindo, que eu estava cansado e precisava ficar quieto. Há dias que penso demais. Precisava escrever coisas pro trabalho, não fiz. No banho, tentando juntar forças para ir para a Igreja, eu deitei no chão e pensei em esperar a hora passar até o ponto de não fazer mais sentido ir.

Senti vontade de rezar. Rezei. Pedi, com todo meu coração: por mim, pela minha família, pelos meus tios, pela Sara, pela Camila, pelos meus amigos que eu sei que precisam de ajuda, pelos meus amigos que eu sinto falta, pelo meu trabalho, pelas minhas ideias do que é ser Cristão. Deus, eu aceito o que for melhor para mim.

Pensei que estava atrasado. Não me importei. Pensei que estava com a barba por fazer. Não me importei. Pensei que não tinha comido nada no dia todo. Não me importei. Levantei, vesti uma roupa. Tinha pedido umas caronas, não deram certo, então pedi um Uber. Vamos para a Igreja. No carro, mandei algumas mensagens. Algumas bem duras. Acho que foi Deus agindo através de mim. Disse coisas que eu precisava dizer. E eu também tava com muita fome. Fico bravo com fome. O moço do Uber foi educado, me ofereceu balinhas. Almocei balinhas, muitas.

Chegando na Igreja, o missionário falava sobre coisas que eu sempre penso. Não sobre hipocrisia, não sobre cultura, mas sobre como as pessoas falam uma coisa e fazem outra, sem perceber. Foram palavras duras, fortes. Eu senti boa parte delas. Algumas doeram. Outras me deram forças. Cansa, em muitos momentos, tentar mostrar para as pessoas que seguir Cristo não é seguir a massa de ódio gratuito e impensado que observamos hoje. Não é falar que é Cristão e agir como se Cristo fosse o inimigo.

Ainda durante a pregação, conheci um cara. O sorriso dele me fazia rir sei lá o porquê. Ele tinha uma energia boa e fomos conversando. Depois ele me adicionou numa rede social e trocamos ideia. Ele me disse sobre sua sexualidade, que já foi mais distante da Igreja, mas que gostava e que não se importava mais com o ambiente homofóbico. É uma coisa que eu tenho insistentemente tentado desconstruir nas pessoas com as quais me importo na Igreja. "Precisamos de mais héteros como você", o moço disse. Deus me deu duas respostas às minhas orações nesse momento. Não pare.

Saindo da Igreja, encontrei uma amiga. Ela atravessou a rua de mãos dadas com um moço. Rezei pelo relacionamento dela. Peguei um Uber e fui pra casa. Parei pra comer alguma coisa com mais "sustança" que as balinhas de mais cedo. Foi quando pensei em zoar um amigo meu que tinha chegado no encontro mais atrasado do que eu. E sei lá, veio um treco no meu coração e falei: me leva pra sair, irmão. Ele se prontificou, me convidou e fomos. Eu não iria ficar em casa essa noite, não queria.

A gente saiu com a prima dele. Num primeiro momento iríamos a um lugar. Depois ele sugeriu um outro, um tanto simbólico pra mim. E só fui na maré. Cerveja, risadas, boas conversas. Muitas risadas mesmo. Foi uma noite divertida, mas ao mesmo tempo dolorida. Senti muita falta de uma pessoa, falta que eu não queria demonstrar e que naquele momento eu não queria nem admitir. As palavras duras que eu tinha exposto mais cedo foram para ela.

Eu olhei em volta e pensei nas coisas que eu ouvi na pregação. Palavras duras, mas verdadeiras. Mas também pensei que o que há no coração e nas atitudes são importantes e não importa muito o que você faz para se divertir e ser feliz, desde que o bem seja o norte. Então seja luz, onde estiver, mesmo que esteja fraquejando, seja luz. Jesus queria estar perto dos "piores" - na minha visão - não qualificando em relação a valor moral, mas a valor cultural. O que a sociedade diz que é pior? O que a sociedade oprime qualificando como melhores e piores, se somos todos iguais? É... um pensamento meio doido pra uma balada tocando funk.

Mas pensando sobre isso senti, eu sentia uma presença forte, ali com meu amigo e a prima dele. Foi como se eu sair de casa, ouvir o que eu ouvi, dizer o que eu disse, fazer o que eu fiz tivessem sido orientados pela minha oração. Até as conversas e as não conversas naquele dia pareceram ser cuidadosamente colocadas para acontecer naquele momento. Mandei mensagem também pra uma pessoa que transformou a minha vida, sem ela eu não poderia ter visto a maioria das coisas que vi para melhorar como ser humano e provavelmente vou me lembrar dela para o resto da minha vida.

De lá, fui passar a noite na casa de um amigo meu, que iria fazer um evento no dia seguinte. Conversamos um bocado sobre coisas que eu nem tenho coragem de verbalizar e ele era a pior, acreditam, a pior pessoa para quem eu poderia falar. Mas falei. E talvez Deus tenha algum propósito nisso. Dormi bem. Fui bem tratado pela mãe dele e me senti em casa. Foi quando deitei numa rede e pensei um bocado. Mandei mais palavras duras. Mas como fruto disso, não recebi palavras duras de volta. Recebi palavras que eu precisava. Coisas que eu pedi a Deus para entender e que ele me conhecendo, intimamente, sabia que iria apaziguar meu coração. "Eu também sinto a sua falta". Eu havia recebido mais uma resposta.

Passei um excelente domingo, com amigos e boas conversas, pensando em como teria sido meu final de semana se não tivesse feito aquela oração que me fez dar um pulo e correr para fazer o que eu tinha que fazer. Rezar faz bem e entender os sinais que Ele nos envia, também. Pedir e agradecer.

Fiquem com Deus.


Pedro Henrique Miranda
Enviado por Pedro Henrique Miranda em 02/09/2019
Código do texto: T6735393
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Sobre o autor
Pedro Henrique Miranda
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 31 anos
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Pedro Henrique Miranda