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Emasculação

Nos foi vendida a ideia de que a masculinidade é algo a ser travestido e não inerente a nós enquanto seres humanos. Não devemos ser homens, mas parecer homens. Não devemos expressar-nos, mas exibir-nos. É vaidade e consumo, não ética e pensamento. Dado isso, qualquer manifestação do que foge ao culturalmente masculino é visto como motivo de chacota, piadas, reprodução de preconceito. Como se a sua identidade estivesse presa dentro de um invólucro predeterminado e extremamente resistente.

Sua identidade não tem a ver com o que te vendem sobre o que é para você ser. Não tem a ver com o que as pessoas esperam que você seja. Tem a ver com o que você é e quer ser de fato. Somos bombardeados com ideais de consumo e status e não com ideais éticos. Como, quando e como devemos parecer homens perante uma sociedade que estimula somente a produção de mercado, e não a produção individual como cidadão e ser pensante.

Parecer "sucedido", parecer "forte", parecer "viril", parecer esteticamente "bem", "provedor", "protetor". São papéis que nos impõe culturalmente e nem sequer conseguimos questionar até indeterminado momento, se questionarmos. São papéis que agridem nossa individualidade e são propositalmente dados para nos distanciar de tudo que é dado como feminino, mais "fraco", simplesmente por ser "menos" do que você deve ser por ter um saco com duas bolas.

Em suma, a fobia da emasculação é real, em relação a tudo que aproxima o homem do feminino, como se isso significasse ser menos. E não significa. Esse é um dos aspectos essenciais da homofobia e do machismo. Essa ideia de se distanciar, sobrepujar e condenar o feminino é absurda, foge ao entendimento ético do que é igualdade e nos coloca num patamar medieval de ignorância.

Essa masculinidade vendida e culturalmente aceita é tóxica, preconceituosa e segregadora. Entender isso é chave para autoaceitação e desenvolvimento da própria individualidade. É um processo de desconstrução contínuo. É difícil enxergar objetivamente a reprodução quando ela vem automática, mas o exercício diário ajuda a ver e remover tais comportamentos e ideias.

Nesse sentido, o maior desafio é a educação emocional, sobre como essas mudanças nos afetam, pois geram medo mesmo, insegurança. Perder essas percepções falsas significa perder privilégios e até mesmo a necessidade de reconstruir nossas identidades.

Só para reflexão.

Tenho certeza que muita gente lendo vai pensar: "é gay" ou algum adjetivo que tente me desqualificar perante o status quo cultural acima mencionado. Não desqualifica =*.

Reflitam sobre isso também.
Pedro Henrique Miranda
Enviado por Pedro Henrique Miranda em 14/08/2019
Reeditado em 14/08/2019
Código do texto: T6720101
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Pedro Henrique Miranda
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 31 anos
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Pedro Henrique Miranda