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Valor Barato

Não me definas.
Não sou como um sobejo de homens.
Como um sorvete que vós ofereceis uns aos outros...
E não aceitam porque são 
Sobejos.

Não sou coisa usada... descartável... reciclável.
Posso até me ter permitido estar...
Um dia... que vai ao longe.
Já esquecido e lançado ao mar.

Mas te conto que cri em sentimentos
Tantas... Tantas vezes.
E pago altas quotas pelas pseudo definições
Que borbulham das bocas raivosas
Dos machistas, cheios de posses “sobre”.
Mas lembra-te:
A ausência de crer
Esconde o cinismo de querer ser.
Eu opto por “dar a cara p'ra bater”.
Poucos acompanham... e não importa.
Ele acompanha-me.

Eu amei tantas vezes.
Eu tropecei: em mim mesma e nos outros.
Eu derrubei e cai.
E choro com a mesma força do meu riso.
Pois quando ele ergue-me
Faz-me capaz de erguer homens e mulheres vis
Tal qual o meu Eu... que eu mato-o e guardo-o nele 
Luta de todos os dias.

Guarda a tua palavra cheia de certezas
Daquilo que não experiencias.
E eu?!
Guardo a minha... Do pouco que eu conheço de ti.
Da tua aparente arrogância de sempre saber.
De não aceitares argumentos diferentes dos teus.
Da tua aparente vaidade, humanamente barata.

E eu te amo tanto... não cantes.

O que sentirão pelas mulheres “comidas”?!
O que serão capazes de sentir por mulheres “lambidas”?!
O que aprendeste sobre isto?!
O que dizes?!

| Tu és amor! |

Eu choro com a mesma força do meu riso.
E recomeço.
E danço e brindo a loucura que é todo o fim.
… E a loucura que são todos os recomeços.

Levantem-se, Homens!
Guardem o julgo das histórias tantas.
Em cada face carmim, um universo inteiro.
Dores... sistemas de pensamentos, valores perpassados
Nas entrelinhas do vestido menino,
Do corpo violado, de valor barato.
Do descaso, abandono e abuso.
Dos amores feitos e desfeitos.
Mas, em algum instante, foram pseudo verdades
... Percebidas no depois
Por toda a carne que conhece o sangue.

Por vezes creio que, por isso, não tenho sobrenome
Desses que duram muito tempo e enchem a boca dos vaidosos.
(Nossa! Eles são quase perfeitos!)
E nem o quero... para que funcione como antídoto
Às pseudo definiçoes de ser “aquela”.

Não sou coisa e não sou tua.
Nem de ninguém... Nunca fui... Não serei.
Sou “aquela”... que junta-se e consola, nele,
Todas as maravilhosas “aquelas”
Que querem erguer-se, sem forças e envergonhadas
Por tantos motivos... Não importa.
Há tanta beleza nelas...

Não vale mais o perfume que fica na alma de quem toca, com amor, uma outra alma?!

Chamo-me “aquela”... E canto alto!
E tu?! ... Como tu te chamas?

Karla Mello
13 de Julho de 2019
Karla Mello
Enviado por Karla Mello em 13/07/2019
Código do texto: T6694881
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Karla Mello
Recife - Pernambuco - Brasil, 53 anos
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Karla Mello

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