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Aprendizados

Após alguns momentos doídos da vida, percebemos que ou aprendemos ou vamos sofrer novamente, o que é óbvio né? Nem sempre. Nossas motivações nem sempre são claras, nossas paixões são um vendaval e nem sempre temos um norte definido. Ficamos perdidos, nos decepcionamos, nos vituperamos frente àquilo que não entendemos.

Em um desses momentos aprendi que não preciso machucar de volta quem me machucou. É uma reação de defesa, auto preservação, instintiva e contraprodutiva. O alívio é momentâneo - da raiva, do descontentamento, do medo de parecer fraco ou que aconteça de novo, dos gritos que me trazem as piores lembranças emotivas, da insegurança de ser abandonado... - e decidir o que vou fazer, ou não, a partir dessas paixões tornou-se para mim algo muito caro ao meu caráter, poder de fato arbitrar minhas direções. Por quê causar mais dor? Por quê não conhecer melhor meus gatilhos? Talvez seja maturidade entender-se e também buscar entender o outro, mas respeito às paixões: são nossos motores e a ideia não é controlá-las, mas entendê-las e parte disso é ter empatia pelo outro, tão movido por elas quanto você.

Aprendi também que é difícil, depois de entender as injustiças há pouco não vistas, e culturalmente reproduzidas (machismo, homofobia, racismo, misoginia, desigualdade social), não se incomodar com a maior parte das situações hodiernamente vividas - vem um sentimento de revolta, tanto por entender quanto por ter reproduzido e ainda reproduzir - e isso nos movimenta passionalmente ao gasto de energia sem foco, ao desperdício de potencial, ao excesso de negatividade quando reagimos a tudo que acontece de ruim ao nosso redor. Isso nos impede de sermos abertos aos pequenos prazeres do dia a dia, de aproveitar os momentos com certa paz de espírito, de acolher pessoas que talvez também precisem abrir os olhos. Não podemos compactuar, concordar, passar pano ou ficar bem com a ignorância - não é isso -, mas lutar de forma equilibrada, educar. E nos dar mais importância como indivíduos em formação, ao nosso próprio bem e isso não é ser egoísta, é manter a saúde. Reagir mal a tudo que nos incomoda dá poder ao outro sobre nós.

Outra coisa na qual refleti - e essa foi bem difícil - é que não preciso agradar a todo mundo, não preciso da aprovação de todos, não preciso que as pessoas gostem de mim em todas as situações, não preciso me sentir menos ou sentir que não sou bom o suficiente. Estar preenchido da convicção de que hoje estou me construindo da melhor forma que acredito é infinitamente mais satisfatório do que o vazio que sentia na corda bamba da tentativa de uma aprovação universal. O aproveitamento do tempo e energia gastos com meus entendimentos sobre mim, minha natureza, minhas paixões, meus paradigmas é incomparavelmente melhor do que o aproveitamento tentando entender o que o outro quer, pensa ou suprir a necessidade do outro. E por uma questão simples: sobre mim tenho condições de controle - sobre o que falo, minha intenção, minha interpretação -, sobre os outros não. É mais importante ser herói pra você do que a tentativa de ser herói ou vilão pros outros, escolher ser melhor primeiramente por você, no teu íntimo, no silêncio do teu pensamento. A tua obra em si atrairá admiradores, não se preocupe. Pessoas vêm e vão, gostam e desgostam, amam e odeiam, contudo você sempre estará ali por você mesmo.

É  através de disrupções, de feridas, que amadurecemos e produzimos nosso amor próprio e não devemos tratá-lo como instrumentos de combate que nos previnem de danos em relação ao outro, pois parte da construção desse amor é o compartilhamento das dores que o constituem, das suas fraquezas. Culturalmente somos teimosos e ignorantes ao pensarmos na defesa do amor próprio,afinal somos fortes, certos e há coisas que não se questionam, certo? Errado! Não percebemos que a evolução está justamente no projeto inacabado e não na ilusão de estarmos prontos ou melhores. Amor próprio é o entendimento de que você está fazendo o possível pra ser sua melhor versão, mas que há tanta coisa a aprender, a assimilar, a se viver... É a percepção que você e sua melhor versão vão se desenvolver, que seu projeto é contínuo até o dia da sua morte e que é alimentado através da partilha de conhecimento e experiências. Mudar é ótimo!

Por fim, esteja ciente do valor das coisas difíceis que você passou e passará na vida, pois sempre te edificarão. Por mim passaram pessoas, lugares, amores, rancores, tristezas, arrependimentos e vazios tão profundos que eu não conseguia me reconhecer, mas tudo foi necessário para o ser humano o qual sou hoje e para o qual desejo me tornar. Reaja com equilíbrio - é um exercício e não é fácil - e quando não der, não se culpe, procure entender e tente novamente. Eduque na medida do possível o que você acredita ser ético alguém que quer aprender e saiba que cada um tem seu momento, seu processo, seu tempo. Primeiro seja bom pra você, seja feliz consigo mesmo, olhe no espelho e se admire, depois vem o outro. Se ame verdadeiramente, se doe, compartilhe, aprenda mais e mais, se construa sempre.

Foram coisas que eu aprendi e se estão certas ou erradas? Talvez eu descubra dividindo como estou fazendo aqui.
Pedro Henrique Miranda
Enviado por Pedro Henrique Miranda em 19/03/2019
Reeditado em 20/03/2019
Código do texto: T6601897
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Pedro Henrique Miranda
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 31 anos
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Pedro Henrique Miranda