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Rua estreita, a ampulheta e uma ferida mortal...

Ai, como é ruim! Essa lança cravada em minhas entranhas... Nem sei como tenho força para escrever, mas preciso, é um porto onde me recolho para ser eu nua e crua.
Os pontos estão entregues, preciso fazer algo que vai doer muito mas quando se trata de necessidade, algo deve ser feito...  Existe um sentimento aqui, que ocupa tudo, ele parece que nem tá mais, mas tá. E é uma tremenda estupidez tentar esconder, porque sempre que eu visitar a minha dispensa interna e tirar um sentimento do lugar, aquela caixinha de lembranças vai tá lá me olhando, aquele sentimento vai tá lá me olhando, me farejando, me beijando, me seduzindo e não quero fazer amor com lembranças, nem amá-las. Preciso sair, preciso sair, preciso esquecer! Isso tudo já me roubou quase meia década de vida encarnada, e preciso viver, tem alguém que depende de mim e eu não posso morrer agora. Foi tudo muito lindo, mas tenho que fazer algo para isso tudo definitivamente acabar, porque me sinto em uma rua estreita que a cada metro andado, um pouco de mim fica presa nas paredes, me arranca, me faz sangrar e não dá mais, tá estreito demais, tenho que voltar e entrar em outra rua, não me cabe, não me cabe... Nem mesmo dando "um jeitinho"! A ampulheta já foi virada e as horas nela, se converteram em dias e noites, e eu viro e viro e viro... E nada altera ao redor. Ascendo um cigarro, bebo um vinho, várias cervejas, estou com muitas companhias, mas não consigo ser companhia. Tem um cara apaixonado e um outro que diz me amar, o que diz amar aparenta bem menos do que o que diz estar apaixonado, e não sou de nenhum... Um porque quero, mas não posso e outro não quero, embora possa. Essas dualidades contrárias, me afetam e vou seguindo, atrofiando por dentro. Preciso inverter o quadro e seguir sem olhar para trás, matar o que tem ameaçado me matar, preciso largar, não tem mais jeito, a mágoa só aumenta e não quero isso. Preciso me despedir e ir de verdade, porque parece que sempre esqueci alguma coisa e volto para buscar, mas não vale mais a pena.
Não adianta, nunca adiantou, eu sei que me tornaria uma assassina se o passado fosse gente, porque eu já o teria matado.

"Trazer o chantilly de casa", "corta", "segurar os teus peitos quando estávamos na moto", "fotos", "vídeos", "lugares", "viagens", "planos", "Sophia", "dormir juntos", "cobrir os olhos com uma camisa", "Scott Pilgrim - contra o mundo", "Star Wars", "de novo essa cara, tá fazendo de novo, de novo... De novo". "Boa noite meu nego, durma bem, eu te amo"


Egoísmo! Injustiça... Amor pouco, não é amor...

(...)

Um ipê como testemunha, de um primeiro beijo no mês que antecede o meu preferido, um sonho, e um grande amor com uma ferida mortal, feita à mão, por uma faca inacabada, de um cuteleiro inacabado... Metade, metade, metade. Eu amo alguém que alugou um apartamento no passado e como eu amo, dói, mas vou mudar isso. Quero uma máquina "de volta para o futuro".


Não volto ao passado mesmo que tenha esquecido a minha alma.
Fim!
Sâmya Costa
Enviado por Sâmya Costa em 20/10/2018
Reeditado em 25/10/2018
Código do texto: T6481848
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Sâmya Costa
Campina Grande - Paraíba - Brasil
137 textos (9333 leituras)
2 áudios (330 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/08/20 21:15)
Sâmya Costa