SOBRE O ANTI ÉDIPO E MIL PLATÔS

Quando se escreve recusando o significate, procura-se escapar a lei da sobrecodificação despódica. Como Deleuze & Gattari em o Anti Édipo e Mil Platôs, busca-se uma concepção dos agentes coletivos de enunciação que ultrapasse o corte entre sujeito de enunciação e sujeito do enunciado. Os fluxos contínuos de conteúdo e expressão em seus agenciamentos maquínicos prescindem de significante. Eles apenas funcionam em linhas de descodificação absoluta que se opõem a cultura.

Esquizo livros, livros máquinas, livros uso. É assim que o Anti Édipo e Mil Platôs se tornam leituras do quase ilegível, onde a linguagem e o texto acontecem como musica, ganham velocidades e ritmos, timbres e melodias... intensidades.

Há coisas clandestinas dentro da escrita através dos conceitos que dizem acontecimentos.

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Para Deleuze, a verdade não é algo pré existente. É algo que falseia ideias pré concebidas. A potência do falso produz o verdadeiro. A verdade, enquanto uma construção social, pressupõe a ação de intercessores,

“O essencial são os intercessores. A criação são os intercessores. Sem eles não há obra. Podem ser pessoas- para um filosofo, artistas ou cientistas; para um cientista, filósofos ou artistas- mas também coisas, plantas, até animais, como em Castaneda. Fictícios ou reais, animados ou inanimados, é preciso fabricar seus próprios intercessores. É uma série. Se não formamos uma série, mesmo que completamente imaginária, estamos perdidos. Eu preciso de meus intercessores para me exprimir, e eles jamais se exprimiriam sem mim: sempre se trabalha em vários, mesmo quando isso não se vê. E mais ainda quando é visível: Felix Guattari e eu somos intercessores um do outro.” (Guilles Deleuze. Conversações 1972-1990. RJ: Editora 34, 1992, p.156)

Os intercessores nos permitem dizer, exprimir, fabular, criar. São essenciais a prática discursiva e aos fluxos de pensamento. Jamais estamos sozinhos no fragrante delito de fabular, de criar o real. Não há verdade que não pressuponha um sistema simbólico e um esforço inventivo.