QUINZE

Eram quinze e quinze quando saí da aula sem rumo e fui me achar caminhando. Andei até suar frio, até ficar com uma sensação de desmaio. Sensação de morte mesmo, queria morrer. Queria morrer porque não conseguia ser outra que não fosse uma menina insegura de quinze anos se sentindo mal com seus "de-feitos". Logo eu, tão passada da idade de sofrer de dores de desamores e inseguranças banais. Eu que sei que é em meus braços que devo me amparar, pois só eu tenho o que eu preciso para ser. Não morri, não desmaiei. Era só uma ladeira da vida, dessas que parecem não acabar mais, e quando você já está se entregando; pronto acabou. Cheguei em casa pensando em chorar no chuveiro e aproveitar para lavar o corpo inteiro. Mas, o telefone soou e era uma menina de quinze anos dizendo que a vida não tinha sentido. Aos quinze ela deduzira que a ladeira tava alta e, talvez, fosse melhor parar onde estava. Desliguei o chuveiro, enxuguei as lágrimas e coloquei a minha menina de quinze de lado para atender do outro lado da linha uma menina de quinze que queria morrer. Perguntei-lhe por quê? Por causa dessa ladeira de sentimentos enfileirados? Qual o quê! Dei-lhe conselhos dobrados; um para ela e outro para mim. Começou a sorrir. Perguntou se eu tinha filha, disse que não - completando - De vez em quando cuido de uma guria aqui.

Adelaide Paula
Enviado por Adelaide Paula em 15/05/2017
Reeditado em 17/05/2017
Código do texto: T6000188
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