A Sambista de Ipanema

O pé da rainha de bateria

de pele e lantejoula

veloz

mal se vê

brilhava e bailava

Enquanto o samba gritado pontuava a melodia

estava nua

não fosse a pena

No meio do penacho

nem ave, nem anjo

apenas músculos e trincas

escorre o suor

no grito do refrão pude ver seu rosto

sorria,

os olhos brilhavam,

o cabelo era comprido e preso pela coroa de pena

Porém, seu rosto desnudava o contrário da garota de Ipanema

que pena!

artificial

a voz, o corpo

tudo esculpido e criado com esforço

muita maquilagem e ajuda da ciência.

Sem talento ou inspiração

Tudo longe da canção

sorte a minha estar longe

e gozar meu feliz anonimato,

pois se aquela musa me pega,

quebra-me em uma centelha.

Mas afinal, alguém aí viu a garota de Ipanema?

ProjetoProsa
Enviado por ProjetoProsa em 02/03/2017
Reeditado em 14/02/2018
Código do texto: T5927897
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