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OS MESTRES DA SUSPEITA. + SUJEITO, TEXTO E SENTIDO.

É bom lembrar que “a constante interação entre conteúdo do texto e o leitor é regulada também pela intenção com que lemos o texto, pelos objetivos da leitura”. (Koch 2011, p. 19)

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OS MESTRES DA SUSPEITA - TEORIA DO CONHECIMENTO
Postado por Frederico Drummond às 04:35


Resenha do livro Filosofando - de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins - 4ª Edição - Editora Moderna.


http://euamosophia.blogspot.com.br/2012/11/os-mestres-da-suspeita-teoria-do.html



O racionalismo confiante de que há um mundo objetivo a ser desvendado pela razão começou a sofrer abalos. Já sabemos que Hume e Kant colocaram em questão o critério de verdade dos antigos, mas foi na segunda metade do século XIX e no começo do XX que diversos filósofos intensificaram as críticas ao conceito de verdade como representação e correspondência.

A expressão "mestres da suspeita" foi cunhada pelo filósofo francês Paul Ricoeur (1913-2005) para designar os pensadores Marx, Nietzsche e Freud. Segundo Ricoeur, foram esses três pensadores que suspeitaram das ilusões da consciência. Por consequência, para descobrir a verdade, é preciso proceder à interpretação do que consideramos conhecer a fim de decifrar o sentido oculto no sentido aparente.

a) Marx: a ideologia

Karl Marx (1818-1883) viveu intensamente o período de confronto do proletariado com a elite econômica de seu tempo. Quando esteve na Inglaterra, conheceu de perto a situação deplorável do operariado, obrigado a longas jornadas de trabalho em oficinas insalubres e com baixa remuneração. Elaborou então sua teoria materialista, segundo a qual as ideias devem ser compreendidas a partir do contexto histórico da comunidade em que se vive, porque elas derivam das condições materiais, no caso, das forças produtivas da sociedade. Percebeu também as contradições que surgem entre essas forças produtivas e as relações de produção. Nesse contexto, as ideias vigentes, que aparecem como universais e absolutas, são de fato parciais e relativas, porque representam as ideias da classe dominante. As concepções filosóficas, jurídicas, éticas, políticas, estéticas e religiosas da burguesia são estendidas para o proletariado, perpetuando os valores a elas subjacentes como verdades universais. Para Marx esse conhecimento que aparece de forma distorcida é a ideologia, ou seja, um conhecimento ilusório que tem por finalidade mascarar os conflitos sociais e garantir a dominação de uma classe, impedindo que a classe submetida desenvolva uma visão do mundo mais universal e lute pela autonomia de todos.

b) Nietzsche: o critério da vida Friedrich Nietzsche (1844-1900) procedeu a um deslocamento do problema do conhecimento, alterando o papel da filosofia. Para ele, o conhecimento não passa de interpretação, de atribuição de sentidos, sem jamais ser uma explicação da realidade. Conferir sentidos é, também, conferir valores, ou seja, os sentidos são atribuídos a partir de determinada escala de valores que se quer promover ou ocultar. Para Nietzsche, o conhecimento resulta de uma luta, do compromisso entre instintos. Ao compreender a avaliação que foi feita desses instintos, descobre que o único critério que se impõe é a vida. O critério da verdade, portanto, deixa de ser um valor racional para adquirir um valor de existência. O que Nietzsche quer dizer com "critério da vida”? Ao perguntar- se que sentidos atribuídos às coisas fortalecem nosso "querer viver" e quais o degeneram, questiona os valores para distinguir quais nos fortalecem vitalmente e quais nos enfraquecem.

Outra teoria que destaca o caráter interpretativo de todo conhecimento é a do perspectivismo, que consiste em considerar uma ideia a partir de diferentes perspectivas. Essa pluralidade de ângulos não nos leva a conhecer o que as coisas são em si mesmas, mas é enriquecedora por nos aproximar mais da complexidade da vida em seu movimento.

c) Freud e o inconsciente - Sigmund Freud (1856-1939), fundador da psicanálise, desmente as crenças racionalistas de que a consciência humana é o centro das decisões e do controle dos desejos, ao levantar a hipótese do inconsciente. Diante de forças conflitantes, o indivíduo reage, mas desconhece os determinantes de sua ação. Caberá ao processo psicanalítico auxiliá-lo na busca do que foi silenciado pela repressão dos desejos. A hipótese do inconsciente tornou-se fecunda ao permitir a compreensão de uma série de acontecimentos da vida psíquica. Para a psicanálise, todos os nossos atos trazem significados ocultos que podem ser interpretados. Usando de uma metáfora, poderíamos dizer que a vida consciente é apenas a ponta de um iceberg, cuja montanha submersa simboliza o inconsciente.

Os sintomas que vêm do inconsciente devem ser decifrados na sua linguagem simbólica, já que o simbolismo é o modo de representação indireta e figurada de uma ideia, conflito ou desejo inconsciente. Há vários tipos de sondagem do inconsciente, mas, para Freud, os sonhos constituem o caminho privilegiado, que ele procura desvendar pelo método da associação livre.

As críticas elaboradas por Marx, Nietszche e Freud repercutiram de maneira significativa nas reflexões posteriores sobre o sentido da verdade e o alcance do nosso conhecimento. Filósofos de correntes diferentes, como o pragmatismo, a filosofia da linguagem, o neopositivismo, o neomarxismo, enfim, das mais diversas tendências, se ocuparam com essa questão.

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 Sujeito

Segundo Koch (2002, p. 13), a concepção de sujeito depende da concepção de língua que se adote: Segundo Koch (2002, p. 16), o conceito de texto depende das concepções que se tenha de

língua e sujeito:

Na concepção da língua como representação do pensamento, o sujeito corresponde a um sujeito psicológico, já que se apresenta como produtor de seu pensamento. É um "ego que constrói uma representação mental e deseja que esta seja 'captada' pelo interlocutor da maneira como foi mentalizada" (KOCH, 2002, p. 14).

A concepção da língua como instrumento de comunicação determina o sujeito como um "assujeitado pelo sistema, caracterizado por uma espécie de 'não consciência'" (ibidem). É um sujeito predeterminado pelo sistema.

Na concepção da língua como lugar de interação, o sujeito é entendido como uma entidade psicossocial, pois é social, histórico e ideologicamente situado.


Texto e sentido

Na concepção da língua como representação do pensamento e do sujeito dono de sua produção, o texto será o produto desse pensamento.

Na concepção da língua como código do seu sujeito predeterminado pelo sistema, o texto é visto apenas como mensagem, ou seja, como um produto da codificação e decodificação de um emissor a um destinatário.

Na concepção da língua como lugar de interação, cujo sujeito é entendido como uma entidade psicossocial, o texto é o lugar da interação, portanto, o sentido do texto é construído na interação texto-sujeito.
http://euamosophia.blogspot.com.br/2012/11/os-mestres-da-suspeita-teoria-do.html
Enviado por J B Pereira em 27/04/2016
Reeditado em 27/04/2016
Código do texto: T5618526
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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J B Pereira