Obsolência

A forma que eu vivo e que eu amo,

está mais obsoleta que o mimeógrafo,

ou a máquina de escrever.

Velharias que causam nostalgia,

mas que perderam a praticidade.

Do jeito que vai, um dia a poesia cai também em obsolência.

Aí sim podem jogar a pá de cal em cima de mim.

Venho sobrevivendo à academia, às mulheres

as mais serenas, e as mais loucas,

e à embriaguez em noites seguidas sem sono.

Será que sobreviveria ao fim da poesia?

Se eu não tiver ninguém para ler o que eu escrevo, além de mim mesmo...

Não sei se eu continuaria.

Se eu não tivesse mais mulheres para amar

e me enlouquecer

creio que eu não beberia, e provavelmente dormiria as 9 da noite, vendo TV.

E não teria sobre o que escrever,

e é capaz que eu fosse uma pessoa normal e ajustada.

Pensando assim,

acho que prefiro então ser esse cara obsoleto.

Amando, enlouquecendo, bebendo e escrevendo poesia,

trocando a noite

pelo dia.

Rômulo Maciel de Moraes Filho
Enviado por Rômulo Maciel de Moraes Filho em 08/04/2014
Reeditado em 02/07/2019
Código do texto: T4761834
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