Motim da Madrugada

O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio...

Era o título do livro que eu lia, mas descrevia bem a minha noite.

Havia um motim. Em plenas 2:53 da madrugada.

Meu cérebro, rebelado, recusava-se a entrar em recesso.

Não havia espaço para negociação. Meus neurônios ameaçavam pôr fogo na embarcação toda.

Não havia consenso entre eles.

Não havia reivindicações. Só cacofonia, desordem e cheiro de pólvora queimada.

Eu saí de mim para dar uma mijada e comprar uma cerveja,

quando voltei havia perdido tudo.

Essa era a sensação.

Ameaçam fazer-me andar na prancha. Hei de nadar com os tubarões ao amanhecer...

Me entrincheirei, no colchão, desarmado e pedindo razão aos meus miolos.

Ao inferno com a razão, eles gritam, erguendo uma bandeira preta com uma caveira horrenda.

Minha caveira, por certo.

Só posso estar ficando louco, pensei.

Deve ser esse computador maldito...

e a internet com todas as suas distrações...

Tenho visto e lido besteiras demais.

Tenho me auto indulgido, me embriagado de superficialidade e comunicação instantânea até perder o sono. Tenho navegado nesse mar de bosta sem fim, seguindo a globalização.

São novos tempos.

Antes, Átila queimou Roma e o povo correu, sangrou e clamou por Cristo.

Hoje, o mundo queima, e o povo, anestesiado,

dança...

Rômulo Maciel de Moraes Filho
Enviado por Rômulo Maciel de Moraes Filho em 19/03/2014
Reeditado em 19/03/2014
Código do texto: T4735362
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