Constatação do amor

Ótimo. Começaram os problemas da noite. Paixão é uma droga mesmo. Só serve para causar desavenças. É a Yoko e os Beatles, é Bentinho e Capitu, é Marco Antônio e Cleópatra. E continuamos aí, sendo amaldiçoados por esse veneno, mesmo com os exemplos históricos que os livros nos ensinam.

Ah, o amor... É como uma arma branca nas mãos de um garotinho com quatro primaveras completas. Ele começa brincando e se fascinando com o poder cortante que possui tal objeto. Imagina aventuras, envolve-se a fundo, sem medo de seguir adiante, pois se sente seguro e valente com aquele singelo instrumento, avançando e massacrando quaisquer que sejam seus obstáculos.

Mas quando ele menos espera, perde-se no manejo da arma, e em pouco tempo deixa de ser o guerreiro imbatível para se tornar um ferido em combate devido ao “fogo amigo”, chorando com o ferimento aberto, que sangra sem parar, e não estanca com merthiolate ou band-aid. Só com a maldição do tempo.

E quando se passam os anos e o garoto cresce, cora-se de vergonha e se ri todo ao lembrar de quando brincava e se machucava à toa por causa daquela faca de cozinha.

Ah, o amor... Quem me dera viver sem.