VAZIO BIPOLAR - LABIRINTO DE MIM
Tudo começa com um vazio, imenso, profundo, frio e triste. Preciso silenciar, me prostar, sou tomada por uma força desconhecida, grande e covarde que tão maior que eu insiste, lateja, dói. Como reagir? Como entender? Grito e ninguém me ouve, não há quem possa me ouvir, me compreender, me sentir, saber o que se passa em mim. A razão dessa angústia, dessa agonia, desse desânimo, cansaço, pranto, espanto... não sei dizer, sinto-me como um mar sem peixes, sem corais, como uma terra sem verde, um céu sem azul, um arco-íris sem cor, uma estrela sem luz, um beijo sem amor, um pássaro sem asas, um jardim sem flor, como uma viúva, uma mulher em parto, um cego perdido, um viajante em terra estranha. É tamanha essa ausência de mim que nem eu mesma sei mensurar, todos os meus sentidos tornam-se confusos e meus pensamentos perdidos, parecem alheios a mim, distantes, vazios, não há como articular idéias, bem menos consigo falar. E por favor, não fale comigo, não me pertube. Sou contraditória eu sei, complexa, imprópria, arredia, extraviada...
Definitivamente sou labirinto de mim.