Os Pobres

 

É preciso ter muito cuidado com as palavras e saber interpretá-las com atenção e justiça. Pobre de espírito é uma coisa completamente diferente de pobre em espírito. A língua portuguesa é maravilhosa e possui distinções profundas quando trocamos, às vezes, apenas uma letra de lugar. Aquele que é “pobre de espírito” ainda é escravo de alguma coisa ou de alguém; o “pobre em espírito” é livre, não é mais escravo de ninguém, exceto ao amor de Deus.

Há uma reflexão interessante a ser feita. Enquanto os católicos engrandecem a “morte de cruz” por Cristo, nossos irmãos protestantes enaltecem “a ressurreição”. Pontos de vistas diferentes para um só evento. O dualismo grego conduz a visões distorcidas, como essa. Quem está certo ? Ambos estão mais ou menos certos. Todos dois ficaram no meio do caminho. Assim como não é possível separar o Jesus Histórico do Cristo da Fé, também é impossível separar a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. São imanentes. Com isso, o amor fraterno, em Cristo Jesus, passa, obrigatoriamente, tanto pelo pobre de espírito (ainda cativo) quanto pelo pobre em espírito (em comunhão com Deus).

Missão

O compromisso da Igreja é : 1. Pregar o Evangelho; 2. Anunciar a libertação em Cristo; 3. Celebrar o Mistério Pascal. A Igreja não pode, em hipótese alguma, ser repressora, autoritária, intimidadora ou castradora sob o risco de dar as costas à mensagem edificante de Jesus que nos oferece a “libertação”. A Igreja não pode confundir autoridade com autoritarismo, pois a autoridade de Jesus fundamenta-se na alteridade. A Igreja desempenha papel de liderança religiosa e essa liderança deve ser exercida com total respeito a liberdade de vontade de cada um. Jesus nunca impôs nada a ninguém, exceto o amor : “- amai-vos uns aos outros”.

O que é espiritualidade ? É a elevação do espírito, é alcançar a sublimidade, é aproximar-se da Deus. E não importa qual a sua religião. O importante é estar em comunhão com Deus. Essa meta é o objetivo primordial para qualquer cristão, pois Jesus nos ensinou exatamente isso. Aprendemos ? Não, infelizmente não. Mas, já sabemos que esse é o caminho, a verdade e a vida. Chegaremos lá.

Já falamos sobre a teologia da missão e esta, na verdade, é um chamado, uma convocação de Deus que envia cada um de seus escolhidos para eternizar a Palavra de Cristo. Essa é a missão, também, da Igreja que está presente em cada comunidade e é peregrina, missionária, comprometida com o caminhar dos discípulos de Emaús.

A missão exige comprometimento e é preciso ser “pobre em espírito” para exercê-la com sabedoria e entusiasmo. Qualquer um pode ser missionário ? Sim, desde que esteja com o seu coração voltado para o outro. Se o olhar estiver fixo no seu “próprio umbigo”, a missão não será cumprida.


Leandro Cunha

 

 

Leandro Cunha
Enviado por Leandro Cunha em 03/11/2012
Reeditado em 04/11/2012
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