PODEROSA capítulo 6: A conversa

 

CAPÍTULO 6

 

A CONVERSA

 

(No capítulo anterior, Ava testou os poderes de Elaine e verificou que a "poderosa" pode se livrar de amarras e abrir fechaduras com o poder da mente. Agora veremos a teoria de Ava e como Elaine descobre que está sendo espionada.)

 

    Quando tudo isso ficou bem claro Ava teve uma conversa muito séria comigo. A essa altura ela e eu estávamos tão amigas que revezávamos visitas longas, de passar a noite; e certa noite de sábado, uma semana antes do Carnaval, estávamos juntas em meu quarto. Para isso fôra preciso providenciar outra cama, não havia muito espaço mas o fato é que Ava queria o silêncio da noite para trocar confidências comigo.

    — Meus irmãos andam desconfiados de qualquer coisa... — comecei, mas algo como uma campainha interna soou dentro de mim. Levei a mão à boca, e ante o “Mas o que...” iniciado por Ana eu fiz um “shiu!” e sem nem saber porque dirigi-me até a mesa de cabeceira, afastei-a e localizei o microfone sem fio ali fixado por adesivo crepe.

    — Meu Deus, o que é isso? — indagou Ava.

    Eu retirei a bateria do aparelho e sentei-me na cama, perplexa e amedrontada.

    — Minha própria família — lamentei.

    — Sua família é grande. Quem poderá ter feito isso?

    — Pode ser coisa de Valdo e Madson. Mas, Ava, eu ocultei tão bem os meus poderes! Eles não podem ter desconfiado de nada!

    — Mas é claro que não, minha amiga. Eles estão é maldando o nosso relacionamento!

    Fez-se luz no meu espírito.

    — Então é isso. Nos tempos atuais as pessoas levam tudo para o lado do sexo. Para eles é suspeito que você e eu durmamos no mesmo quarto.

    — Bom, deixa eles pensarem o que quiserem — e Ava tocou gentilmente o meu ombro. — O que importa é o que eu preciso lhe falar sobre os seus poderes!

    Ela se recostou em sua cama, aconchegando-se nas almofadas, enquanto eu fazia o mesmo na minha para ouvi-la; e Polvilho, na minha cama, se enroscava em meus pés. Naquele estranho momento Ava pareceu falar como uma profetisa:

    — Elaine, querida Elaine, até aqui nós temos apenas investigado os seus poderes e ainda não sabemos até onde é que eles vão. E, no entanto, não podemos ficar só nisso!

    — Então, Ava, vamos ter que chegar aonde?

    — Nós precisamos descobrir porque você tem esses poderes!

    — Você está de brincadeira comigo. Eu não tenho a mínima idéia de como solucionar essa questão!

    – Nem eu. Então nós vamos ter que ser intuitivas. Como as mulheres costumam ser, mais que os homens. Você nunca ouviu dizer que a mulher é mais mística que o homem?

    — Eu não, mas posso acreditar nisso.

    — Pois bem. Eu só enxergo uma explicação para as suas habilidades: você é uma iluminada, uma escolhida.

    — Eu, Ava? Mas escolhida por quem e para que?

    — Você veio ao mundo com uma missão. É claro que você é uma enviada de Deus para combater o mal.

    – Você está sonhando. Eu talvez seja apenas uma mutante.

    — Que nada! Você deve ter assistido os X-men... mas eu é que não acredito nisso! Os seus poderes não são orgânicos, são sobrenaturais!

    — Você acha mesmo, Ava? Então o que é que eu tenho que fazer?

    — Nada. Espere os acontecimentos. Em breve acontecerá alguma coisa e você terá de utilizar conscientemente o seu poder. Você verá.

    A conversa foi interrompida por batidas na porta; Polvilho pulou da cama latindo. Eu fui ver: era o meu avô, trazendo bolinhos de bacalhau recém aprontados. Como já estávamos recolhidas, tomei aquilo por simples bisbilhotice.

 

 (Parece que os pentelhos dos irmãos de Elaine andaram fazendo das suas, querendo espionar a irmã. Mas agora as coisas começarão a acontecer. O cenário muda para o Parque 🏞️ de Guapimirim, onde Elaine reencontra a misteriosa mulher de olhos verdes e cabelos negros compridos, que encontrara no sebo da Praça Saens Pena. Elaine e Ava testemunham um grave incidente relacionado com ela. 

Aguardem em breve:

CAPÍTULO 7

EXCURSÃO)

 

imagem freepik 

Miguel Carqueija
Enviado por Miguel Carqueija em 30/03/2025
Código do texto: T8298217
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