PODEROSA capítulo 5: Poderes crescentes
CAPÍTULO 5
PODERES CRESCENTES
(Anteriormente Elaine conseguiu se esquivar do namorado que a traía e confiou seus poderes a sua amiga Ava. Mas Elaine ainda não conhece a extensão desses poderes.)
Passei a ir com mais frequência à casa de Ava, cada vez mais a minha melhor amiga. Quando podíamos ficar sozinhas testávamos o meu poder de acompanhar as pessoas pela televisão. Eu também conseguia acompanhar animais, como o Polvilho. Ava estava fascinada, embora aqueles exercícios de “voyeurismo” que fazíamos me deixassem meio mal com a minha consciência.
Uma noite, porém, com a mãe já recolhida (e ela morava só com a mãe e os bichos de estimação) a minha amiga decidiu que eu deveria seguir mais adiante.
— Você não sabe explicar os seus poderes, não é, Elaine? Portanto você não conhece a extensão deles. Por que não fazemos uns testes?
— Mas, Ava, o que eu posso fazer? Não me imagino gritando uma palavra mágica, que nem a Hikaru, e lançando raios com a palma da mão. Aliás, nem quero fazer uma coisa tão assustadora!
— Elaine, veja bem — disse ela, afagando a Manteiga, sua gatinha branca — os contos de fadas que falam em palavras mágicas têm a sua lógica. Um poder só pode ser exercido conscientemente pela vontade e a vontade tem de ser expressa pela palavra, nem que seja uma palavra interior.
— Bem, Ava. O que você sugere então?
— Que tal se eu pegar uns barbantes e te amarrar de pés e mãos?
— Ué! Para que você vai fazer isso?
— Mas é evidente, burra! Você vai ver se consegue desatar os nós com seu poder mental!
— Eu não vou conseguir fazer isso...
— Nâo afirme sem tentar. Se você pode pedir aos pernilongos para não picá-la e ser atendida, eu acho muito mais fácil conseguir que os nós se desfaçam!
— Está bem. Pode tentar. Vai amarrar as minhas mãos para a frente ou para trás?
— Para trás. Serviço completo, entende?
Minutos depois eu estava recostada nos travesseiros, sobre a cama de Ava, com os pulsos e os tornozelos amarrados. Ava sentou-se numa poltrona e afastou o olhar de mim.
Eu fechei os olhos, tentando relaxar; e apesar de um certo ceticismo pus-me a falar com a mente:
“Por favor, barbantes, desfaçam os seus nós. Quero poder me levantar e andar.”
Não custou muito e senti os laços afrouxarem. Movi então os pulsos e os pés – e estava livre. Saí da cama e chamei:
— Pronto, Ava!
Ela veio ao meu encontro e me abraçou:
— Eu sabia que você ia conseguir, amiga! E esse é um ótimo poder! Nesse tempo de sequestro... se te amarrarem você se solta... se te trancarem, quem sabe você abre as fechaduras?
— Estou começando a ficar assustada comigo mesma.
— Bobagem, Elaine. Esses poderes devem é tranquilizá-la, dar-lhe segurança, auto-confiança.
— Bem... se você diz...
— Nós temos, é claro, de investigar mais. Seria ótimo se eu pudesse acorrentá-la ou algemá-la!
— Cruz! Você já está parecendo uma adepta de sadomasoquismo...
— Não tem nada a ver uma coisa com outra, tonta. É só uma investigação! Se você consegue se livrar de cordas e barbantes, deve ser capaz também de abrir algemas e correntes! Mas eu não posso fazer esse teste agora, não disponho de algemas e correntes!
— Para falar a verdade, Ava, se você dispusesse de tais coisas eu ficaria preocupada...
Ava riu com gosto. Era uma boa menina e uma amiga muito sincera.
O teste seguinte foi com a fechadura do quarto dela; depois experimentamos o trinco da varanda. Os resultados foram então mais impressionantes, visto que a lingueta e o trinco se moveram.
Eu não podia ser presa. Possuía o dom da telecinese.
(No próximo episódio Ava arrisca uma hipótese sobre a razão dos poderes de Elaine.
A seguir:
CAPÍTULO 6
A CONVERSA)
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