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LEONEL IV - NÃO SOU BANDIDO! - CAPÍTULO 6

                         CAPÍTULO VI – NÃO SOU BANDIDO!


                                 Leonel procurou esconder bem a emoção ao ouvir aquela confissão da boca do irmão. Apenas continuou olhando para ele, sem nenhuma expressão no rosto. Apenas as lágrimas rolaram por seu rosto, teimosas.
- Eu estava com raiva de você... porque... sentia que estava perdendo a Helena pra você... E acho que ainda estou... Ela te ama. Eu sinto que ela te ama. E até entendo por que... É só comparar você comigo...
- Não diz besteira...
- Não é besteira. Eu peguei a mesada que o pai me dá e... paguei pros caras... procurarem você lá no apartamento do Floyd... Conheço o Gil há algum tempo e sei que ele... também não morria de amores por você... por causa do Floyd... Me contou que as coisas nunca estavam bem entre eles quando você aparecia... O Floyd é... gamadão por você, sabia?
   Os olhos de Leonel estavam cheios de água ainda, mas ele não moveu um músculo.
- Eu não queria que eles tivessem feito a coisa tão... Era pra ser só um susto! Quando eu fui visitar você com a Helena, voltou na minha cabeça por um momento que tinha valido a pena. Aquilo ia afastar de vez você dela. Você estava tão diferente, estranho, parecia mais forte e mais frágil ao mesmo tempo... distante... Eu não reconhecia você nos seus olhos... Você parecia mais... meu filho... do que meu irmão e... ao mesmo tempo parecia... bem mais velho que eu... Mais do que os quatro anos de diferença que a gente tem... Não sei explicar. Essa sensação voltou quando você estava lá no quarto da tia Cris, o quarto do pai verdadeiro do papai... Eu voltei a sentir raiva de você. Uma raiva que parecia mais antiga que nós dois. De antes do nosso nascimento... É um treco muito louco. Não sei explicar mesmo...
- Leo Torres... Nosso avô fez isso...
- Pode até ser... Às vezes eu acho que ele ainda vive naquele quarto. A tia Cris o mantém vivo lá dentro.
   Leandro enxugou as lágrimas e continuou:
- Você pode até me odiar depois disso... Pode até não querer mais olhar na minha cara, mas... acredite você ou não... eu... estou muito arrependido. Não quero te ver morto. Não vou te pedir perdão porque não sei se perdoaria também, se alguém fizesse uma coisa dessas comigo. Só não quero ter que confessar isso aos outros... o que só devo explicar pra você. Eu sinto muito de verdade.
- Você vai ter que... depor amanhã, junto com o papai, na delegacia... Vai ter que dizer tudo isso ao delegado.
- Não, se você retirar a queixa... se... o delegado arquivar o caso de novo, como fez antes do Gil fazer a besteira de escrever aquele bilhete e se matar.
- Que desculpa eu vou dar pro papai pra fazer isso?
   Leandro levantou-se, andou pelo quarto e depois de pensar por um momento disse:
- Reúne o pai e a tia Cris na sala amanhã. Eu vou contar tudo pra eles, mas não quero depor na delegacia e ser tratado como um marginal. Eu não sou um bandido! Não quero ser preso com um bandido...
- Você não vai ser preso. Você é menor...
- Sou menor, mas não sou burro. Todo mundo que acompanhou o seu caso sabe que você podia ter morrido e, se eu fui responsável por isso, usando dinheiro e contratando gente pra te fazer mal... Isso é tentativa de assassinato. É FEBEM na certa. Eu não quero ir praquele lugar. Prefiro morrer.
- Só me diz uma coisa...
- O quê?
- Você tem mesmo noção da burrada que você fez ou é só porque está com medo de ser preso? Será que, depois que tudo isso passar, você não vai...
- Não, juro, não! Eu aprendi a lição. Reúne o pessoal lá embaixo amanhã e me ajuda a acabar logo com isso, por favor, Leonel.
  Ele levantou-se e saiu do quarto. Leonel respirou fundo e voltou a deitar-se. As lágrimas desciam pelo rosto ainda. Ele abraçou-se ao travesseiro, encolheu-se todo na cama e permaneceu quieto. Só os soluços interrompiam seu silêncio.


                   LEONEL (REENCARNAÇÃO) IV – CAPÍTULO 6
                                   “NÃO SOU BANDIDO!”
                           OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!
                POR SUA PIEDADE, ENSINA-ME A SER PIEDOSO...
             POR SEU AMOR, ENSINA-ME A AMAR SEM RESERVAS...
                                 E PELAS BÊNÇÃOS!
                 NÃO PERMITA QUE EU ME APARTE DE VÓS
                          BOA TARDE E OBRIGADA!
   
                                   

Velucy
Enviado por Velucy em 05/08/2020
Código do texto: T7026995
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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