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LEONEL III - CONFISSÃO DOLOROSA - CAPÍTULO 7

                       CAPÍTULO VII – CONFISSÃO DOLOROSA
                                             
                           Cristina voltou para casa nas nuvens, ainda sob o impacto da descoberta de que Floyd era filho de seu ex-namorado Ted Fontes. Entrou em casa e encontrou Leandro deitado no sofá, lendo um gibi de aventuras do Hulk.
- Oi, Leandro... ela cumprimentou.
- Oi, tia, ele respondeu, indiferente como sempre. – Papai pediu pra avisar que ele foi até a delegacia, mas volta já.
- E seu irmão?
- Sei lá! Deve estar lá em cima deitado no quarto dele.
   Cristina olhou para ele por um momento e Leandro, estranhando, tirou os olhos do gibi e olhou para ela, perguntou:
- Que foi, tia?
   Ela aproximou-se dele e sentou-se junto aos pés dele no sofá.
- O que você pensa disso que aconteceu com seu irmão, Leandro?
   Ele olhou para ela e fechou o gibi, ajeitando-se no sofá.
- O que eu acho? O que eu acho como?
- Quem você imagina que pode ter feito uma coisa tão bárbara com ele?
- O Floyd, claro! Ou alguém ligado a ele.
- Ele é amigo do Leonel e o próprio Leonel o isentou de qualquer envolvimento.
   Leandro sentou-se no sofá.
- Tia, esse cara tem um amante, se é que você não sabe. Esse amante dele pode ter muito bem ficado com... sei lá,  ciuminho do Floyd e... aprontou em cima do Leonel. Você não sabe o que é um “gay” enciumado.
- E você sabe?
    Leandro se desconsertou, mas conseguiu safar-se:
- Não, claro que não sei... Nunca vi, mas já ouvi falar muito entre meus amigos. Na escola a gente às vezes conversa sobre isso.
- Você tem contato com algum?
- Não... Contato não, mas eu conheço vários que não têm a mesma fama, mas a gente sempre ouve estórias, não é?
- Você pode imaginar o que seu irmão está passando, não pode?
- Claro... ele falou, meio inseguro. – Mas o papai sempre avisou pra ele se afastar daquele...
- Pare de colocar a culpa no Floyd! – ela disse, rispidamente e quase gritando.
   Leandro assustou-se.
- Ei, tia, calma! Até parece que você defende ele.
- Floyd não é o monstro que seu pai e você pintam! Talvez existam monstros bem maiores e piores, vestidos em peles de bons homens por aí, Leandro. Pense nisso. Não é o que o homem faz numa cama que define seu caráter!
- Mas tem aquele ditado: “Quem se junta com porcos, come a lavagem”. O Leonel se aproximou demais dos amiguinhos desse Floyd. Devia ter tido mais cuidado. Tomara que agora ele aprenda...
   Cristina procurou ver nos olhos do sobrinho algum vestígio de culpa no que havia acontecido com o irmão. Gostaria de perguntar diretamente a ele, mas ficou apreensiva. Ela se levantou e afastou-se, subindo as escadas.
   Leandro ficou pensativo. Cristina parecia estar desconfiada ou sabia de alguma coisa. Tinha que ficar atento.

   Cristina ia direto para seu quarto, mas resolveu passar pelo quarto de Leonel primeiro, para ver como ele estava. A porta estava entreaberta e ela espiou.
   Leonel estava deitado na cama, com o toca-fitas tocando uma música instrumental no piano bem suave. Ela bateu na porta. Ele abriu os olhos e, ao vê-la, disse:
- Entra...
- Atrapalho?
- Não, claro que não, ele falou, sentando-se na cama.
- Tudo bem?
- Tudo bem...
- Hum... que coisa gostosa ouvir isso.... São as minhas fitas?
- Peguei no seu quarto, mas ia devolver. São todas... minhas, não é?
   Quem perguntou foi Leo. Ela balançou na cabeça, confirmando.
- Leo, você precisa dar uma chance pro Leonel viver...
   Ele fechou os olhos e suspirou fundo e dolorido.
- Eu sei, mas se eu não sei o que me fez voltar, como posso desfazer isso?
- Você sabe sim. Sua personalidade é bem mais forte e marcante que a do Leonel. Ele era um garoto muito puro, muito frágil, muito bom. Você se colocou no lugar dele porque sabia que ele não aguentaria o baque de ter sido atacado tão violentamente naquele apartamento.  O Leonel com certeza enlouqueceria se acordasse naquele hospital e descobrisse que foi... violentado tão barbaramente! Você já passou por isso antes, não é?
- Não... a situação está trocada... Eu fiz a alguém... o que fizeram comigo agora.
   Cristina quase perdeu o fôlego.
- O quê?
- Eu fiz quase a mesma coisa... com o Haroldo, Cris... Seu pai...
- Não...
   Leo ergueu-se e foi até a janela. Olhou para fora por uns instantes e voltou-se para ela.
- Pouco antes de ele se casar com a sua mãe... a Gilda. Eu tinha que fazer alguma coisa bem... rude, bem drástica, para evitar que ele tivesse qualquer desejo remoto de continuar com aquele intuito de roubar de mim a mulher que eu amava e que esperava meu filho... Tomei um banho, me arrumei, pra não assustá-lo... peguei o revólver do meu pai e fui até a casa dele com a desculpa de que queria falar do assunto... e... aproveitei que ele estava sozinho, como sempre... e o ameacei com a arma... mandei ele subir até o quarto dele. Ele obedeceu e eu... o ataquei, como fizeram comigo no apartamento do Floyd.
- Você não me mostrou isso... quando me contou sua estória com minha mãe...
- Não tive coragem... Foi covarde demais.
- E como... ele reagiu?
- Não reagiu... – Leo começou a chorar e sentou-se ao lado dela. – Ele não disse uma palavra... só chorou... chorou... Mas eu não conseguia ver mais nada. Estava tão cheio de ódio por ele que só conseguia ver eu mesmo machucando ele... querendo vê-lo humilhado, pisado, morto... Queria desfazer aquele orgulho dele de se casar com a Gilda e ser o futuro pai do meu filho e dos filhos dela!


                   LEONEL (REENCARNAÇÃO) III – CAPÍTULO 7
                                 “CONFISSÃO DOLOROSA”
              O AMOR DE DEUS É IMENSO! USUFRUA DELE COM AMOR,
                                      AMANDO SEU IRMÃO.
                            OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!
                    PELA PIEDADE, PELO AMOR E PELAS BÊNÇÃOS!
                                     BOM DIA E OBRIGADA!

Velucy
Enviado por Velucy em 29/07/2020
Código do texto: T7019922
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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