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LEONEL III - BEIJO - CAPÍTULO 5

                                   CAPÍTULO V – BEIJO


                          Quando chegou ao restaurante onde Floyd a esperava, Cristina estava com os olhos vermelhos de chorar. Ele percebeu, logo que ela sentou-se à mesa.
- O que foi? Você esteve chorando?
- Nada grave. Estou só preocupada com o... Leonel... Mas o que é que você tinha pra me dizer?
- Eu estive com o Gil há três dias, lá no meu apartamento.
- Ele não fugiu?
- Não. Ele me contou que não participou da atrocidade que fizeram com o Leonel. Só abriu a porta pros caras que fizeram tudo.
- Caras? Foi mais de um?
- Dois, amigos dele, pagos... pelo seu sobrinho Leandro, Cris.
   Perplexa, Cristina balançou a cabeça, recusando-se a admitir aquilo.
- O Leo me falou dessa suspeita, mas eu imaginei que ele estivesse ainda sob o efeito do que tinha sofrido. Ele disse... que o pai tinha tentado matá-lo. O pai que estava agora encarnado no corpo do irmão. Eu ainda não tinha interiorizado o fato, Floyd! Como o Leandro pode fazer uma coisa dessas com o próprio irmão!?
- Os dois já se falaram, não é? – Floyd perguntou.
- Já... mas o Leandro está tratando o Leonel até muito bem. Muito melhor do que jamais tratou.
- Quem sabe ele tenha se arrependido... Talvez esse seja o passo certo para os dois se entenderem de uma vez.
- Talvez... mas o Leo está sofrendo muito. Não pelo que aconteceu, mas por essa crise de identidade que ele mesmo não consegue superar. Eu percebi como foi complicado para ele entrar no casarão onde morou por vinte e seis anos com o pai. Eu o deixei no meu quarto, que era o dele antes, porque ele não conseguiu ir para o dele como Leonel. Ele precisa parar de viver o que foi pra superar tudo isso como Leonel, que é o que ele é agora. Ele tem que ser ele mesmo! O trauma deve ter sido muito forte mesmo pra fazer isso com meu sobrinho. Isso não é normal. Reviver sua última encarnação! Nem a parapsicologia explica.
- Tenha paciência, Cris. Ele vai superar tudo. Não consigo entender também por que ele está passando por isso, mas deve ter um motivo. O que você vai fazer quanto ao Leandro?
 Cristina suspirou e apoiou o rosto na mão.
- Não sei... Tenho vontade de conversar com ele abertamente e perguntar. Não como repreensão, por que afinal de contas, não adianta mais, já aconteceu. Quero conversar com ele como amiga, como tia. Saber o que ele realmente tem de tão grave contra o irmão a ponto de fazer uma coisa tão cruel.
- Rebelde como ele é, você acha que ele assumiria?
- Não sei, mas o máximo que ele pode fazer é negar, não é? Não tenho nada a perder.
- É... não custa tentar. Mas esse garoto tem que ter algum tipo de punição. Se ele conseguiu fazer uma coisa tão grave com o irmão, do que mais ele não seria capaz?
  Cristina viu o garçom não muito distante olhando para eles com cara não muito feliz.
- O garçom está olhando pra gente de cara feia. Vamos pedir alguma coisa?
- O que você quer comer ou beber?
- Um suco de laranja ia bem. Está muito quente.
   Floyd pediu um suco de laranja, uma garrafa de cerveja e uma porção de fritas e ela perguntou:
- Por que você deixou o seu apartamento?
- Não podia continuar morando com o Gil, depois do que ele fez.
- Era ele que tinha que ir embora.
- Ele está doente, Cris.
- Doente?
- Aids...
   Cristina se surpreendeu.
- Aids? Você morava com o aidético, Floyd?
- Cris, não me julgue. Por favor, qualquer coisa, menos isso. Eu suporto muita coisa de qualquer pessoa, mas não daria pra aguentar ver você me desprezando também.
- Não estou te julgando, nem desprezando você. Só estou espantada, perplexa... preocupada com você. Você mora com ele há muito tempo, não é?
- Moro, quase dois anos, mas não sei se estou doente.
- Não sabe?
- Não vou te dar certeza de nada. Eu sei me cuidar. Eu entrei nisso porque quis e sabia das consequências. Eu estava na pior quando a gente se conheceu e ele me ajudou muito. Era um cara normal até se envolver com uns caras barra pesada que viraram a cabeça dele. Não posso me queixar disso também. Cada um tem sua vida. Mas... depois que eu conheci o Leonel, senti que eu tinha uma ligação muito forte com ele e... me apaixonei pelo garoto... no melhor dos sentidos, não precisa ficar preocupada. Mas eu tinha mesmo que dar um basta na minha relação com o Gil. Ele implica muito com o Leo e eu devia ter previsto que ele ia aprontar alguma coisa, algum vacilo com o Leonel. Essa foi a gota d’água.
- Foi por isso que você disse no hospital que não vai ficar muito tempo por aqui?
- É, foi...
- Vai me deixar novamente, quando eu mal começo a me relacionar com você... paizinho?
   Ele sorriu.
- Acho que a gente vai passar a vida inteira dizendo “oi” e “tchau” num intervalo ínfimo de tempo entre uma encarnação e outra, não é? Mas está valendo a pena. Todo amor que eu tenho por você é imensamente maior que uma vida inteira. Isso supera qualquer unidade de tempo. Eu te amo demais... anjo.
   Cristina inclinou-se sobre a mesa e aproximou o rosto do dele, beijando-o carinhosamente no rosto. Floyd segurou sua mão e a beijou na boca. Quando se afastaram, ela sorriu, surpresa.
   O garçom se aproximou da mesa com o pedido deles e os interrompeu.


                   LEONEL (REENCARNAÇÃO) III – CAPÍTULO 5
                                              “BEIJO”
          O AMOR DE DEUS É IMENSO! USUFRUA DELE COM AMOR,
                                   AMANDO SEU IRMÃO.
                           OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!
                 PELA PIEDADE, PELO AMOR E PELAS BÊNÇÃOS!
                                   BOM DIA E OBRIGADA!
Velucy
Enviado por Velucy em 28/07/2020
Código do texto: T7018906
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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