A Chuva Que Limpa
A chuva caía, lenta, lavando o concreto sujo da cidade. Dentro do quarto, eu observava pingos, os punhos cerrados, a mente pesada. O calor do dia ainda queimava na memória, os gritos abafados, o caos ainda incomodava. Agora, a água fria trazia um alívio áspero, como um remendo no tempo. Respirava fundo, sentindo o peito se reconstruir. Poucas pessoas valiam a pena, pensava. O resto era tormento. A chuva seguia caindo, renovando tudo.
26.03.2025