Matar a cobra e mostrar o pau
 
 
Da série textos espiritualizados do meu personagem O Guardador de Sonhos
 
   Seu Argemiro é um homem sábio. Vivido. Quem ouve seus causos com atenção, sempre aprende alguma coisa. Certo dia, aqui no meu salão, Nestor da Zefa, gente boa, mas daqueles que come salame e arrota presunto disse com ar de valente:  - Eu mato a cobra e mostro o pau!
Seu Argemiro, calmamente, falou com a sabedoria que lhe é peculiar, mas com dupla interpretação:
 - Matar a cobra e mostrar o pau: faço isso não, Nestor! Afinal a cobra não é responsável pelos desatinos da humanidade. Melhor deixá-la enrodilhada e caçando sapo. Sei bem que é uma maneira de dizer. Metáfora! Minha meta é viver em harmonia.
Tem gente que corre da cobra. Eu a deixo lá em seu habitat (Seu Argemiro costuma falar difícil). Alguns até a seguram com mãos firmes. Outros matam. Seres humanos, Nestor! Nada que é humano me é estranho, já dizia o filósofo! As cobras são criaturas dóceis. Só não invadir seus espaços. Tem função na cadeia alimentar e no equilíbrio ecológico. O pau até que mostro: é um belo mastro, quer ver? Está preservado, bem cuidado. Sou zeloso com as coisas da natureza.
   Todos rimos. Nestor entendeu bulhufas.
 
 
O Guardador de Sonhos indica o textos inéditos de J Estanislau Filho, no livro Crônica do Amor Virtual e Outros Encontros, que pode ser adquirido nos site’s www.protexto.com.br ; www.jestanislaufilho.prosaeverso.net  ou pelo e-mail jestanislaufilho@gmail.com