As Pernas

A simples lembrança do perfume amendoado de Lilian o fazia aumentar ainda mais seu caminhar. Entre as ruas úmidas, os barulhos ensurdecedores de buzinas de carros, transeuntes atravancados entre si, Juliano era uma mistura de distração interna com o trabalho automático e veloz de suas pernas, amadas pernas, que o guiavam de forma certeira ao lugar de destino e deixava seu coração e cérebro livres para flutuar nos sentidos e lembranças do toque do corpo dela em seu corpo, do som de sua voz macia e felpuda escorregando para dentro de seus ouvidos, do beijo dado atrás de sua orelha ensurdecendo outros sons por alguns instantes, instigando seus mais secretos sentidos.

— Acorda, Homem! Chegamos. — Trepidaram suas pernas.

E lá estava Juliano em frente à casa de Lilian.

— Obrigado, queridas pernas!

Rose Rabelo

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Rose Rabelo
Enviado por Rose Rabelo em 15/04/2021
Código do texto: T7232997
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