Uns microcontos

De manhã, eu estava atravessando a rua pra escola. Vinha um carro rápido, acelerei pra passar. Tum! Escureceu. Abri os olhos, muitas vozes. Levantei sem dor. Abri a mochila. Meu Nokia estava quebrado.

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No cemitério, eles caminhavam em busca do corpo. A menina tropeçou e ralou os joelhos. Ao olhar para trás, levou um susto: seu tio estava ali.

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sexta-feira. A chuva estava forte e o vento socava a janela. Ele avisou os amigos que não sairia no fim de semana. Acendeu o cigarro, sentou em frente à máquina de escrever e começou: "era uma...

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O avô ensinava seu neto a pescar no rio. Passou-se o tempo, até que o menino sentiu ter fisgado algo. Entusiasmado, puxou a linha com a ajuda do avô. No anzol: uma latinha de refrigerante amassada.

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Meditava com a janela aberta, antes de dormir. Um clarão precedeu uma queda de energia.

Na escuridão, todas as constelações decidiram brilhar.

Agradeci.

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Tropecei e caí num buraco bem fundo, onde pousei em uma pilha de infinitas folhas. Andei um pouco por um túnel da caverna, que dava acesso à um clarão de doer os olhos. Entrei na Luz.

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Molhou a terra. Dentro da bolha de cada lágrima que caía dele: uma cena em família.

Meses depois, sua presença só existia em porta-retratos, na casa que ficou para os filhos.

E no girassol do quintal.

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Dirigia meu fusca na estrada. Na rádio tocava um bonito solo de viola. Nossos filhos admiravam a vastidão do mundo pelas janelas. Por que será que ela não quis vir?

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Desde segunda, ela colocava uma banana no banquinho no quintal. A banana apodrecia, ela trocava.

No almoço de domingo, um bem-te-vi bicou metade da banana e ficou por lá.

Batizou-lhe de Persistêncio.

Caio Varalta
Enviado por Caio Varalta em 19/08/2019
Reeditado em 27/08/2019
Código do texto: T6724294
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