Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Uns microcontos

De manhã, eu estava atravessando a rua pra escola. Vinha um carro rápido, acelerei pra passar. Tum! Escureceu. Abri os olhos, muitas vozes. Levantei sem dor. Abri a mochila. Meu Nokia estava quebrado.
________________________________________________________
No cemitério, eles caminhavam em busca do corpo. A menina tropeçou e ralou os joelhos. Ao olhar para trás, levou um susto: seu tio estava ali.
________________________________________________________
sexta-feira. A chuva estava forte e o vento socava a janela. Ele avisou os amigos que não sairia no fim de semana. Acendeu o cigarro, sentou em frente à máquina de escrever e começou: "era uma...
________________________________________________________
O avô ensinava seu neto a pescar no rio. Passou-se o tempo, até que o menino sentiu ter fisgado algo. Entusiasmado, puxou a linha com a ajuda do avô. No anzol: uma latinha de refrigerante amassada.
________________________________________________________
Meditava com a janela aberta, antes de dormir. Um clarão precedeu uma queda de energia.

Na escuridão, todas as constelações decidiram brilhar.

Agradeci.
________________________________________________________
Tropecei e caí num buraco bem fundo, onde pousei em uma pilha de infinitas folhas. Andei um pouco por um túnel da caverna, que dava acesso à um clarão de doer os olhos. Entrei na Luz.
________________________________________________________
Molhou a terra. Dentro da bolha de cada lágrima que caía dele: uma cena em família.
Meses depois, sua presença só existia em porta-retratos, na casa que ficou para os filhos.
E no girassol do quintal.
________________________________________________________
Dirigia meu fusca na estrada. Na rádio tocava um bonito solo de viola. Nossos filhos admiravam a vastidão do mundo pelas janelas. Por que será que ela não quis vir?
________________________________________________________
Desde segunda, ela colocava uma banana no banquinho no quintal. A banana apodrecia, ela trocava.
No almoço de domingo, um bem-te-vi bicou metade da banana e ficou por lá.

Batizou-lhe de Persistêncio.
Caio Varalta
Enviado por Caio Varalta em 19/08/2019
Reeditado em 27/08/2019
Código do texto: T6724294
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Caio Varalta
São Paulo - São Paulo - Brasil
53 textos (1002 leituras)
1 áudios (49 audições)
2 e-livros (57 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 15/10/19 08:52)
Caio Varalta