A Casa do Nada

Vivo em uma casa sem portas,

sem janelas e sem chão,

onde o tempo esqueceu seu nome

e o eco não tem direção.

O vento sopra, mas não empurra,

as paredes não sussurram segredos,

e os olhos que olham para dentro

não veem senão um eco sem voz.

A fome se cala, o desejo se apaga,

o corpo é um véu sem carne por dentro,

e a alma—se alma houvesse—

seria apenas poeira flutuando sem lar.

O vento bate, mas nada entra,

a luz desliza, mas não se impõe,

somente a ausência, velha e densa,

senta-se ao meu lado e diz que sou.

Aqui, a existência é só lembrança

de algo que nunca nasceu por completo.

Nem vivo, nem morto, nem ciente de si,

sou apenas o Nada que respira devagar.

Jonathan Montanha
Enviado por Jonathan Montanha em 27/03/2025
Código do texto: T8295446
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