A Casa do Nada
Vivo em uma casa sem portas,
sem janelas e sem chão,
onde o tempo esqueceu seu nome
e o eco não tem direção.
O vento sopra, mas não empurra,
as paredes não sussurram segredos,
e os olhos que olham para dentro
não veem senão um eco sem voz.
A fome se cala, o desejo se apaga,
o corpo é um véu sem carne por dentro,
e a alma—se alma houvesse—
seria apenas poeira flutuando sem lar.
O vento bate, mas nada entra,
a luz desliza, mas não se impõe,
somente a ausência, velha e densa,
senta-se ao meu lado e diz que sou.
Aqui, a existência é só lembrança
de algo que nunca nasceu por completo.
Nem vivo, nem morto, nem ciente de si,
sou apenas o Nada que respira devagar.