Brasa ardente

O vento frio traz um arrepio,

Transpassa a roupa de inverno,

Para ecoar como dor nos ossos,

Que se curvam entre os músculos,

Buscando aquecer-se inertes,

Sem equilíbrio o sangue esfria,

Bombeado por um coração gelado,

A mente não mais dialoga sentimentos,

Tudo está silencioso e distante,

Os sonhos se perderam nas brumas,

As lágrimas viraram estalactites,

A pele sente e pressente a pós vida,

O destino sussurra "está quase acabando!"

Mas ainda há uma chama solitária

Teimosa e resistente acende a fogueira,

Convoca a vida, a alma, a existência,

Ainda há o que fazer, ser, ter e viver,

"Se mova, circule esse sangue, agite!"

Ressoa entre suspiros e impulsos,

Não importa quem ou quando,

Vale o porque, o estampido da rolha,

Do vinho que desce a garganta,

Aquece novamente corpo e olhar,

Aquela tênue esperança retorna,

Tudo pode dar certo, enfim,

Há uma respiração contínua,

O céu se abre e entre as nuvens densas,

Há o brilho das estrelas sorrindo,

Como um sinal para seguir adiante,

Pois como disse o poeta de mil faces,

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena",

E a minha ocupa toda uma galáxia,

"Eu sou do tamanho dos meus sonhos",

Recupero-os para realizá-los, afinal,

Meu oceano é de um azul profundo,

E minha intensidade mantém o calor,

Que em brasa arde e ilumina o horizonte...