PRECE À POESIA
Que exale nos poros da gente
No coração, na pleura, na mente
E nos perfume, nos plenifique
E fique tatuada em nós
Para sempre na epiderme da alma
Como digital na palma,
Como DNA no sangue,
Silueta na visão.
Que seja nosso melhor beijo,
Namoro com a eternidade
Nosso flerte pueril e fervoroso
Com a inspiração
E a loucura.
E seja a mais resiliente verdade,
Pra sempre
No concreto do cotidiano,
Na movediça dos sonhos,
Na simplicidade da alegria
Aquarelada,
Molhada
Quente e fria...
Seja forno, seja ventre
Vento, música, alimento
A prece, a fé, a flor
A alquimia...
A gata preta que mia bem no telhado da dor,
Derrama o leite do prato e mata os gato da sarjeta
Com seus miados de amor.
Que encrespe os pelos,
Transborde,
Borde nas bordas da consciência
Versos de ruas, de luas, de crenças e etnias
Resistência, identidade,
De lutas, guerras e paz
De vozes que não têm vez.
Plena, leve, maciça,
Estado de êxtase e euforia.
Que assim seja em nós,
Hoje, amanhã e todo dia...
A poesia!
Nina Costa , Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil, 22/03/2025